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Caso Chandler-parte 1 "Se Michael não tivesse saído de casa aquele dia..."


VERDADES E MENTIRAS



Caso Chandler

Escrito por Daniela Ferreira (daneJackson)



Se Michael não tivesse saído de casa aquele dia...


Alguém consegue imaginar o maior astro do mundo chutando o pneu de um carro quebrado no meio de uma rua movimentada como a Wilshire Boulevard? Isso ocorreu em um dia de março de 1992, um dia que jamais deveria ter existido.
Michael Jackson dirigia seu Jipe pela Wilshire Boulevard, em Beverly Hills, quando o motor fundiu. Nervoso, sem praticamente nenhum conhecimento de mecânica, ele chamou o “911” para pedir socorro, mas eles informaram que aquela situação não configurava uma emergência e o aconselhou a pedir um reboque.


Agitado, ele ficou andando de um lado para outro, chutando o pneu, enquanto tentava pensar no que fazer. Foi assim que a esposa de Mel Green o viu. Green era um empregado da locadora de automóveis Rent-a-Wreck, que ficava a uma milha de distância dali.
Sua esposa ligou dizendo: “Você não acreditaria se eu dissesse quem está no meio da rua chutando o pneu do carro. Michael Jackson! Se eu fosse você viria pra cá para tentar descobrir o que está acontecendo.”
A empresa de aluguel de carros onde Green trabalhava pertencia a Dave Schwartz, um homem de setenta anos, casado com June Chandler. Isso mesmo, Dave Schwartz era o padrasto de Jordan Chandler. Terrível coincidência, não?

Depois de que foi informado pela esposa de que MJ estava no meio da rua com um carro quebrado, Mel Green foi socorrê-lo. Enquanto isso, Dave Schwartz ligou para June para pedir a ela que levasse Jordan, filho do primeiro casamento dela com Evan Chandler, e Lilly, filha dela com Schwartz, para a loja, pois eles teriam uma grande surpresa. Jordan estava com 12 anos e Lilly 6.
June chegou à Rent-a-Reck antes que Green retornasse levando Michael consigo. Ela estava com a filha, mas não com Jordan, que somente chegou depois, conforme ela veio a testemunhar no julgamento de MJ em 2005, onde afirmou que o cantor concordou em esperar cinco minutos a mais, para que Jordan o conhecesse.
Não seria a primeira vez que June Chandler entrava em contato com Michael, mas a primeira que chegou a falar diretamente com ele.
Em 1983, depois que MJ foi queimado durante a gravação do comercial para Pepsi, June escreveu uma carta em nome de Jordan e enviou ao hospital onde MJ estava internado, no envelope colocou uma foto do menino e o número do telefone de sua casa, além de afirmar que o garoto, de apenas três anos, era um grande fã.
MJ ligou para agradecer a atenção, como fez com todos os outros fãs e indicou Jordan para um teste de um comercial. Ele fez, mas não passou.
Em 198989, durante a Bad Tour, o empresário de MJ entrou em contato com June Chandler e ofereceu ingressos gratuitos para um show. Ela aceitou, esperando conhecer MJ nos bastidores, mas não aconteceu.
Jordan teve a oportunidade de ver Michael em um restaurante, certa vez, mas não teve coragem de ir até ele.
Portanto, aquele dia em maio de 1992, era a grande chance da família.
Segundo Mel Green e a esposa, o casal, June e Dave, bombardearam Michael Jackson com declarações do tipo: “Ele é seu maior fã”, na opinião da esposa de Green, era como se “Michael sentisse que devia algo ao menino.” Conforme June Chandler testemunhou em 2005, o encontro não durou muito mais que dez minutos. Tempo no qual ela não apenas disse a Michael o quanto Jordan o adorava, mas novamente entregou a ele o número do telefone dizendo: “Você deveria ligar para o Jordie, porque vocês têm muito em comum e podem se tornar grandes amigos.”
Segundo o psiquiatra Matis Abrams, que foi quem fez a denúncia contra MJ ao Departamento de Serviço para Crianças e a Família de Los Angeles, Jordan lhe disse que, o padrasto, quando foi escolher o carro com Michael disse ao cantor que não havia necessidade de pagar, desde que ele prometesse ligar para o garoto. Ao ser questionado sobre o motivo de Dave fazer isso, Jordan teria respondido que, “Ele sabia o quanto eu era fã de Michael.”
June Chandler, em seu testemunho no julgamento de Michael, voltaria a afirmar que Jordan era um grande fã de MJ. Segure-se a transcrição:

Sneddon: Agora, deixe-me voltar no tempo. Antes dessa reunião que aconteceu na empresa de seu ex-marido, em 1992. Você sabe se Jordan manifestou alguma admiração pelo senhor Jackson?
June Chandler: Ah, e muito, sim.
Sneddon: Como é que ele mostrava essa admiração?
Mesereau: Objeção. Boatos.
Sneddon: Eu não pedi uma declaração. Excelência, eu pedi uma exposição.
Juiz: Tudo bem. Ele não está pedindo nada que foi dito. Você entendeu a pergunta?
June Chandler: Será que você repetir a pergunta, por favor?
Sneddon: Sim. Como foi que seu filho Jordan, demonstrou admiração pelo Senhor Jackson, antes daquele encontro na empresa de David Schwartz?
June Chandler: Ele tinha uma jaqueta brilhante, que ele costuma usar para ir às festas. Ele tinha uma luva branca como a de Michael Jackson e dançava por aí como Michael Jackson.
Sneddon: E tudo isso foi antes de ele conhecer o Sr. Jackson?
June Chandler: Antes de ele conhecer Michael Jackson, sim.



Uma semana depois de ter conhecido Jordan Chandler, Michael ligou para ele e passaram a conversar sobre suas vidas e o que gostavam de fazer para se divertir. Jordan disse que gostava de vídeo games, então Michael o convidou para seu apartamento em Century City, Califórnia. Michael tinha uma enorme coleção de jogos eletrônicos lá. Mas Jordan não pode ir, pois precisava estudar para provas escolares. Na semana que se seguiu, os dois continuaram se falando e se tornaram amigos.
No dia 27 de junho de 1992, Michael Jackson deu início a Turnê Dangerous. Embora a produção dos megaconcertos exigisse muito da energia de Michael, que comandava absolutamente tudo, da iluminação à venda de ingressos, o cantor continuou se falando com Jordan por telefone durante os nove meses em que excursionou pelo mundo.
Jordan não era a primeira criança a quem Michael dedicava sua atenção. Por toda a vida ele esteve cercado de crianças, como o ator Emmanuel Lewis, a filha de Quincy Jones, Kidada, entre outras.
“Um de meus passatempos prediletos é estar com crianças, conversar com elas. As crianças sabem muitos segredos e é difícil convencê-las a contar. Crianças são incríveis. Meus momentos mais criativos sempre acontecem quando eu estou com crianças. Quando estou com elas, a música vem tão fácil como o ato de respirar. Quando estou cansado ou entediado as crianças me dão vida.” Contou Michael, em uma de suas entrevistas.
Durante a Turnê Dangerous, Michael teve a companhia de dois amigos, Bertt Barnes, um garoto australiano de onze anos a quem Michael ajudou na carreira artística (Bertt veio a se tornar coreógrafo de artistas como Britney Spears) e o Príncipe Albert Von Thurn und Taxis, de nove anos, filho da Princesa Glória Von Thurn und Taxis, da Bavária.
As pessoas que trabalhavam com ele durante a Turnê, estavam acostumadas a ter crianças com eles e ninguém, desde os motoristas aos músicos, jamais testemunharam um ato impróprio do cantor em relação a seus amiguinhos.
Michael voltou aos Estados Unidos em dezembro, a tempo de encontrar Neverland decorada para o Natal, o que foi uma gentileza de Elizabeth Taylor, e ligou para Jordan para contar que Liz havia deixado a casa maravilhosamente enfeitada e que gostaria que estivesse lá para ver.
Mas com uma agenda cheia de compromissos em janeiro, dentre eles as apresentações no NAACP (Associação para o Progresso das Pessoas de Cor) o baile de gala do presidente Clinton, o American Music Awards, o Superbol, dentre outros eventos, Michael não teve tempo para os novos amigos.
Sua lendária entrevista à Oprah Winfrey foi transmitida para o mundo todo no dia 10 de fevereiro de 1993. E no dia seguinte, ele ligou para os Chandler convidando-os para passar o fim de semana em Neverland.
Naqueles três dias, June e as crianças se divertiram como nunca, desfrutando do parque de diversões, da piscina e no cinema, onde viram filmes inéditos emprestados a Michael por estúdios com a Woner Bross. Eles também foram a uma loja de brinquedos cerca de uma hora de distancia, fechada para que Michael pudesse fazer compras com seus amigos.
A amizade entre Michael Jackson e a família se desenvolveu rapidamente. Tornando-se frequentes as visitas à Neverland e ao apartamento em Century City e, além disso, Michael frequentava a casa de June Chandler.
O que Michael mais gostava em Jordan era o senso de humor do menino, que caçoava do cantor pela maneira como ele se vestia, que dirigia, e seu ar desajeitado.
Michael gostava de ser tratado como uma pessoa comum. Gostava da forma natural como Jordan agia com ele. Além disso, Jordan Chandler era um garoto inteligente e extremamente criativo, o que agradava Michael, também. Ele acreditava que Jordan teria futuro como produtor de cinema.
Enfim, os dois se entendiam perfeitamente bem, e tinham muita coisa em comum. Não é estranho que se tornasse grandes amigos, a não ser pela diferença de idade. Mas se deixarmos o preconceito de lado, isso não era um ponto tão relevante.
O produtor Sam Martin disse, em uma de suas entrevistas, que Michael era um sujeito desconfiado, sempre com as “antenas” ligadas, pois as pessoas estavam sempre tentando tirar algo dele. Sam Martin afirmou que só via Michael tranquilo, quando ele estava na companhia de crianças.
Michael Jackson não mantinha uma estreita amizade apenas com a família de Jordan Chandler. Ele também tinha como seus convidados frequentes os Culkins, os Barnes, os Robsons, os Cascios e outros. E não apenas as crianças, mas também os pais eram convidados para sua casa. Como testemunhou os empregados de Neverland, os pais sempre estavam por perto e sempre havia muitas pessoas em volta da garotada.
A família Cascio talvez tenha sido a mais próxima a Michael, uma amizade que durou até o fim da vida do astro.
O pai, Dominic Cascio, era gerente do hotel Helmsey em Nova Iorque, onde Michael esteve hospedado. Durante uma conversa no escritório de Dominic, Michael viu a foto das crianças e pediu para conhecê-los. Dominic o apresentou aos filhos, Frank, com três anos e Ed, apenas um bebê. Anos depois nasceria a filha do casal, Marie Nicole e Aldo Cascio.
Os Cascios mantinham uma estreita amizade com Michael, frequentando a casa do cantor e também o recebendo na deles. As crianças cresceram perto do artista e, conforme disseram em entrevista à Ophra Winfrey, em outubro de 2010, Michael jamais se comportara mal com eles. Oprah, que perece não saber nada sobre Michael, anunciou os Cascios como uma família que mantinha uma amizade secreta com o astro. Mas isso não é verdade, é só mais uma amostra de como a mídia distorce os fatos. Pois Michael foi visto na companhia dos Cascios em inúmeras viagens. E deram entrevistas em sua defesa em 1993 e em 2005.
Dominic e Conie Cascio, os pais, contaram à Ophra que nunca tiveram a menor dúvida quanto à inocência de Michael. Eles disseram, ainda, que precisaram explicar aos filhos o que estava acontecendo em 1993 porque eles erm jovens de mais para compreender.


Frank Cascio se tornou um dos mais importantes assessores de Michael Jackson e Ed é um dos compositores e produtores do primeiro álbum póstumos do artista.
Foram os três, Frank, Ed, e Nicole, que vieram com Michael ao Brasil, quando ele gravou o clipe para música They Don’t Care About Us.
O relacionamento de Michael com Jordan Chandler e sua família não era diferente, nem mais especial do que o relacionamento entre o astro e todas as outras famílias que já foram mencionadas.
Como fazia com qualquer criança que entrava para seu circulo de amizades, Michael deu a Jordan e a sua irmã alguns presente. E também à mãe deles, por quem ele tinha sincero apreço.
Os presentes não eram uma forma de seduzir ou comprar o afeto, mas uma forma de demonstrar carinho. Michael presenteava seus amigos não importando quão rico eles fossem. Ao contrário do que se insinua na imprensa, ele não vivia na companhia de crianças desprivilegiadas, para se aproveitar da condição de pobreza delas. Michael gostava de crianças, simplesmente. Sem distinção de classe, raça idade ou sexo. Apenas crianças.
Para alguns, pode parecer estranho que um homem adulto aprecie a companhia de meninos e meninas, mas não é difícil compreender Michael, quando você o coloca dentro do contexto de sua própria infância, diz Mary Fisher em seu artigo intitulado “Was Michael Jackson Framed”, de 1995.
Tendo começado a vida artística aos cinco anos, Michael Jackson foi forçado a abrir mão de uma infância normal, em troca de muito trabalho, vivendo cercado por adultos, que exigiam dele nada menos que a perfeição. A começar pelo pai, Joseph Jackson, um homem inegavelmente rude e violento, que ao descobrir o talento dos filhos, sobretudo o extraordinário talento do pequeno Michael, passou a guiar os meninos como um empresário tirano, esquecendo-se de seu papel de pai.
Não é estranho que um homem, embora adulto, goste da companhia de crianças, quando ele mesmo aprecia as distrações e brincadeiras próprias desta fase. Se colocado de lado o preconceito, o que se vê é um homem de alma alegre, pura e infantil, que não queria ficar preso a convenções; que não pensava que por ter 30, 40 ou 50 anos, não poderia mais subir em árvores, ou fazer guerras de balões de água.
Os adultos envolvidos não se opunham de forma alguma ao relacionamento entre Michael e as crianças, ao contrário. E por quê? Seria absurdo julgarmos que todos estivessem cegos ou fascinados pela fortuna do cantor, a ponto de ignorar atos impróprios por parte dele em relação aos seus filhos. Portanto, só se pode concluir que os pais não se opunham, porque confiavam em Michael. E confiavam porque podiam.
Joy Robson, em seu depoimento no julgamento de Michael, em 2005, disse que confiava no cantor com seus filhos absolutamente. Pois Michael não era uma pessoa comum “ele é um menino puro. Conhecê-lo é amá-lo e confiar nele”, afirmou ela. Joy Robson não era a única a pensar assim.
June Chandler gostava muito de Michael. “Ele era o homem mais gentil que ela conheceu”, disse um amigo de Chandler.
“Não há nem uma gota de maldade nele.” June Chandler disse sobre Michael Jackson.
Tudo ia bem entre Michael e os novos amigos, até que o pai biológico do menino, Evan Chandler, começasse a interferir.
Evan Robert Charmatz nasceu no Bronx em 1954. Mudou-se para West Palm Beach em 1973, para exercer a profissão de dentista e mudou seu nome para Chandler por considerar que Charmatz soava muito judaico. Conforme contou um colega.
Ele seguiu os passos do pai e irmãos e se tornara um dentista, mas detestava essa profissão. “Ele sempre quis ser um escritor”, disse um amigo.
Com o sonho de se tornar um roteirista Evan Chandler se mudou para Los Angeles nos anos setenta. Estava casado com June Wong com quem teve Jordan.
A carreira de dentista de Evan nem sempre foi estável. Em 1978 quando trabalhava em uma clínica de baixa renda de L.A., a Crenshaw Family Dental Center, ele fez restaurações em dezesseis dentes de um paciente durante uma única consulta.
O Conselho de Examinadores Odontológicos considerou-o ineficiente e ignorante em sua profissão. Sua licença foi revogada. Porém, a revogação foi suspensa e o Conselho decidiu afastá-lo por noventa dias e o colocou sob observação por dois anos e meio.
Arrasado Chandler foi para Nova Iorque. Escreveu um roteiro de cinema, mas não conseguiu vendê-lo.
Ele retornou a Los Angeles com a esposa meses depois e voltou a trabalhar como dentista. Em 1980, quando Jordan nasceu, o casamento do casal estava chegando ao fim.
“Uma das razões para June deixar Evan foi seu temperamento.” Diz um amigo da família. O divórcio ocorreu em 1985. A custódia de Jordan foi concedida integralmente a June e uma pensão alimentícia de 500 dólares por mês foi fixada em benefício da criança. Mas conforme documentos, Evan, até 1993, quando surgiu o escândalo contra Michael Jackson, devia 68 mil dólares a ex-esposa. Dívida que ela acabou perdoando.
Em 1991, um ano antes de conhecer Jackson, Chandler teve outro problema em sua profissão. Uma modelo o processou por negligência odontológica, depois que Evan restaurou alguns dos dentes dela.
Em sua defesa, Evan alegou que a mulher tinha assinado um documento em que reconhecia os riscos envolvidos. Mas quando o advogado dela, desconfiando da autenticidade de tal documento exigiu que fosse apresentado o original, Chandler disse que a maleta onde se encontrava tinha sido roubada do porta-malas de seu Jaguar.
“Isso é como dizer ‘O cachorro comeu meu dever de casa’”, disse Edwin Zinman, o advogado da modelo.
Apesar dos percalços, Evan tinha uma profissão bem sucedida em Beverly Hills.
A primeira chance no cinema ocorreu em 1992 quando Jordan teve a ideia de fazer uma paródia sobre Robin Hood, que acabou sendo rodado e recebeu o título de “Robin Hood, Men in Tigths” (Homens em Calças Justas).
Embora retratado pela mídia como um pai corajoso lutando por seu filho, Evan Chandler, na verdade, era um pai ausente, que fazia promessas que jamais cumpria ao menino, como a de comprar um computador para que escrevessem roteiros juntos.
Ele tinha se casado de novo, com uma advogada, e com ela teve outros dois filhos, além de ter de cuidar de um consultório que o mantinha ocupado. Portanto, não lhe sobrava tempo para Jordan, pelo menos, ele não lhe dedicava esse tempo. A verdade é que Evan somente se interessou pelo filho, quando soube amigo de quem ele tinha se tornado.
Mesmo sendo ausente, Evan não gostou da presença de outro homem que estava se tornando tão importante e influente na vida de seu filho. Ele logo passou a demonstrar ciúme. Quando Michael deu a Jordan um computador, ele ficou furioso, pois disse que queria fazer isso ele mesmo. O computador então ficou no apartamento de Michael e Jordan só podia usá-lo quando ia até lá.
O primeiro encontro entre Evan e Michael ocorreu na casa da ex-esposa daquele, no final de junho de 1993.
Em 22 de maio de 1993, Michael compareceu ao aniversário de cinco anos de Nikki, filho mais novo de Evan, deixando os convidados de queixo caído, pela surpreendente surpresa. Os amigos de Evan comentavam entre si, incrédulos. “Ele é amigo de Michael Jackson?!”. Naquela noite Michael dormiu na casa de Evan Chandler, no quarto com Nikki e Jordan. Os garotos dividiram um beliche, enquanto Michael dormiu em um saco de dormir. Evan contou que, depois que os três assistiram a Peter Pan, ele entrou no quarto para desligar os aparelhos e colocá-los para dormir.
Evan sempre afirmou que jamais viu Michael fazer qualquer coisa inapropriada com seus filhos.
Evan se gabava da amizade com o cantor para seus amigos e sócios e até passou a incentivar a convivência do artista com o menino.
Leia aqui o que diz uma cliente de Evan, Carrie Fisher, sobre o fato: 
Chandler podia implicar quando era deixado de fora, mas sempre gostava quando Michael se hospedava em sua casa. Quando Michael ficou com eles em maio de 1993, Evan lhe sugeriu que construísse um anexo a casa para que pudesse ficar lá sempre que fosse a Los Angeles. Esse pedido de Evan foi confirmado por June no julgamento de Michael. Essa proposta foi levada a sério, a ponto de consultarem o departamento de zoneamento urbano. Quando soube que a ampliação não poderia ser feita, Evan pediu a Michael simplesmente que lhe comprasse uma casa maior.
Ainda no mês de maio, Jordan, sua mãe e Lilly, viajaram com Michael para Mônaco para participarem do WMA (uma premiação de música) “Evan começou a ficar enciumado e se sentiu deixado de lado.” Disse Freeman, advogado de June Chandler naquela época.
Mary Fischer, jornalista da GQ, escreveu um artigo intitulado “Was Michael Jackson Framed” (Michael Jackson foi vítima de conspiração?) (colocar link para o artigo original). Ela relata nesse artigo que “Quando retornaram de Mônaco, Jackson e o menino ficaram novamente com Evan para uma visita de cinco dias, na  qual dividiam o mesmo quarto. Michael dormia no chão, em um saco de dormir, Jordan e Nikki dividiam uma beliche. Evan afirmou que sempre que os via juntos na cama, estavam vestidos. Evan Chandler nunca alegou ter testemunhado algo de errado.”
Apesar disso, Evan não demorou a começar expor seu desconforto com o relacionamento entre Michael e Jordan, chegando a mencioná-lo a alguns amigos. Um deles, Carrie Fishier conhecia o médico de Michael, Arnold Klein e ligou para Klein para perguntar se havia algo de errado naquele envolvimento. Klein, respondeu-lhe imediatamente que Michael era uma criança grande, muito doce e generoso e absolutamente correto. Não havia nada com que se preocupar. Aliás, disse Klein, afastar os dois seria um grande erro.
Alguns amigos de Evan, como Mark Torbiner, no entanto, continuou a expor suas opiniões preconceituosas, dizendo a ele que não era comum uma amizade entre um adulto e um adolescente. E que não estava certo dividirem o mesmo quarto. Torbiner, no entanto, não é uma pessoa de caráter ilibado.
Leia sobre Torbiner aqui:
Evan ficou cada vez mais instável e passou a tomar atitudes que afastavam Jackson, June e até o padrasto do garoto, Dave Schwartz, que até então era amigável com ele.
Mas se Evan nunca viu nada, de onde vieram as desconfianças?
Elas não vieram de lugar algum.

Quando Michael voltou de Mônaco, em maio de 1993, com June Jordan e Lilly, O tabloide The National Enquaire publicou uma foto deles na capa dizendo “Michael Jackson adotou uma nova família” e insinuou que Michael e June estavam tendo um romance. Claro que isso chateou Evan e Dave.
Por ciúme, certamente, Dave pediu a June que se afastasse de Michael. Ele pensava que o cantor estava levando embora sua família. Mas June disse que não se afastaria, pois gostava de Michael. Embora chateado com a forma como o tabloide retratou a situação, Dave Schwartz não se antagonizou com o cantor, pelo contrário. O ciúme logo passou e ele voltou a se entender bem com a mulher e Michael.
Evan Chandler, por outro lado, tomava atitudes dúbias. Ele alegou que suas suspeitas já tinham começado por essa época e como relatado acima, ele manifestou-as a amigos como Carrier Fishier. Sendo assim, por que razão Evan convidou Michael para ficar em sua casa logo que ele voltou de Mônaco, se ele tinha suspeitas de que o filho estava sendo molestado pelo astro?
E mais: por que Evan sugeriu que Michael ampliasse a casa para que pudesse ficar lá com eles, sempre que fosse a Los Angeles, com mais conforto? E quando soube que não poderia ser construído o anexo que sugeriu, pediu a Michael que lhe comprasse uma casa maior? Essa é a atitude de quem suspeita que o filho esteja sofrendo abuso sexual? Trazer o agressor para mais perto? Seria uma atitude lógica?
Só se pode concluir que nunca houve suspeita alguma. Evan apenas preparava terreno para seu plano, quando falava sobre essas “suspeitas” com seus amigos. O que realmente o incomodava era ser deixado de lado. E ele demonstrou isso em uma conversa com o padrasto de Jordan, gravada por Dave, no dia 9 de julho de 1993.

Eu tinha uma boa comunicação com Michael. Eu o admirava e respeitava. Não há razão para ele deixar de me ligar. Nós tivemos uma conversa e eu disse a ele o que eu gostaria que deixasse de acontecer nessa amizade, eu disse a ele o que eu quero. Não entendo porque ele não retorna minhas ligações.”

O que levou às acusações de abuso sexual infantil, então?
É preciso analisar bem os fatos para responder a essa pergunta.
Evan Chandler era um homem violento, diagnosticado como bipolar, ele estava sob tratamento para essa doença. Mas nem sempre o seguia à risca.
O jornalista J. Randy Taraborrelli, que escreveu a biografia não autorizada de Michael “A Magia e a Loucura”, admitiu ter usado o próprio Evan Chandler como fonte e ter se encontrado às escondidas com ele por diversas vezes durante o escândalo de acusação de abuso sexual envolvendo Michael.

Em seu blog, Taraborrelli escreveu:


"Eu encontrei com ele várias vezes na década de 1990. Eu tive muitos encontros secretos com Evan Chandler, tentando chegar ao fundo do que estava acontecendo. Eu era muito jovem, inesperiente e desejava que tivesse meu atual nível de conhecimento para aplicar na época. Tenho histórias sobre aquele cara que nunca cheguei a publicar. Ele era tão inconsistente quando elas vieram. Ele estava tão determinado a conseguir meu apoio, eu achava que ele era um pouco assustador. Se você ler o meu livro, terá ideia de como eu me sentia, me sinto, sobre ele. Quando saiu, ele me ligou gritando por eu não ter simplesmente comprado sua história 100%. Na verdade, ele me ameaçou, e eu pensei... amigo, ok, agora eu sei quem você realmente é. Eu desejva que tudo tivesse acontecido diferente. Para ser honesto, eu gostaria que MJ nunca tivesse feito acordo, e eu disse a Michael isso, diversas vezes. Mas... ele sentia que tinha de salvar sua vida, e eu entendi isso também. Ele realmente estava mal. No entanto, eu gostaria que tivesse ido a julgamento, para que pudéssemos ter provas concretas apresentadas em um tribunal de justiça - como o absurdo caso Arvizo - onde realmente foram capazes de atravessar isso e chegar a algumas decisões concretas. Tudo parece tão inútil agora, porém, não é? E uma vergonha."

  
Taraborelli, em sua edição de 2010 da biografia não autorizada de Michael, também escreve que Evan Chandler o ligou depois que sua edição de 2003 foi publicada e disse: "Você me deve. Se algum dia eu te vir de novo, não vai ser bom para você. É melhor você se esconder porque eu estou indo atrás de você". 

Segundo os documentos judiciais arquivados em 2006, (nos quais constam que Jordan Chandler processou seu pai e obteve uma ordem de restrição permanente contra ele) Evan Chandler bateu em seu filho por trás com um peso de 1 quilo, o que significa que não houve chance de defesa. Em seguida o acertou nos olhos e tentou sufucá-lo. A data do incidente é mais do que interessante. Agosto de 2005.
Michael Jackson foi absolvido de todas as acusações feitas pelos Arvisos em 13 de junho de 2005. Mas a mídia, que foi negativamente criticada pela ccobertura tabloidiana antiética, antiprofissional e tendenciosa continuou a mentir sobre o cantor e não deu atenção ao ocorrido.
Evan estaria irado porque Jordan decidiu não depor contra Michael Jackson?
Se Jordan tivesse defendido MJ, Evan poderia ter enfrentado acusações de extorsão. Mas se ele tivesse ido ao tribunal para reiterar as acusações feitas em 1993, poderia ter sido muito ruin para Michael. Mas ele se recusou a testemunhar e disse que se o promotor Sneddon insistisse nisso, encontraia uma forma legal de se livrar.
Se Jordan tivesse decidido depor contra Michael, a defesa possuia testemunhas que contraditariam suas alegaçãos. Colegas de escola e faculdade, a quem Jordan disse diversas vezes que tinha acusado Michael por que seu pai o obrigara, conforme contou Tom Mesereau, advogado de Michael, em um seminário na universidade de Harvard, onde o caso MJ foi discutido.
Leia aqui:


Mas Jordan não foi encontardo pelos promotores. Ele fez as malas e saiu dos Estados Unidos antes que Tom Sneddon, promotor responsável pelo caso, conseguisse um meio legal de colocá-lo no banco de testemunhas.
Jordan não quis depor contra o homem a quem acusara de tê-lo molestado. E por que não? Ele não estaria perdendo a chance, e pela segunda vez, de colocar na prisão um criminoso? Ou ele não tinha coragem de repetir mentiras diante de um tribunal?
Jordan não depôs em 1993, o advogado Larry Feldman fez tudo para evitar isso. Lógico que ele não iria cometer o erro de ir menir sobre Michael em 2005, tampouco poderia dizer a verdade e se comprometer ou comprometer o pai. Mas Evan, provavaelmente, pensava que ele podia e devia, ter ido ao tribunal para fazer falsas acusações contra Michael de novo.
Não se pode compreender Evan Chanlder. Controle emocional e racionalidade não parecem ter feito parte do caráter dele. Não supreende que ele tenha se matato com um tiro na cabeça em 2009. Poucos meses depois da morte de Michael Jackson.
Mas June Chnadler esteve no tribunal, ela testemunhou, mas nada do que disse prejudicou Michael. Ela não tinha nada a dizer, realmente. Muito pelo contrário. Em determinado momento, ela chegou a afirma que nunca se sentiu desconfortável por Michael Jackson estar perto do filho dela.
Ela também afirmou que a primeira vez que Jordan dormiu no quarto de Michael foi em Neverland, a pedido do menino que, segundo ela, insistiu dizendo: “Tem outras crianças aqui que ficam no quarto dele, por que eu não posso?” Ela deu permissão e nunca houve motivo para não fazê-lo.
Michael Jackson tinha genuíno carinho por June, pelo menos no início, mas nunca se sentiu bem perto de Evan Chandler, ele nunca sentiu que o pai de Jordan fosse sincero. Em uma briga entre pai e filho, Jordan disse a Evan que Michael sabia que ele, Evan, apenas fingia gostar dele.
Uma das razões para Evan não ser sincero era que, apesar de ser um pai ausente, ele sentia ciúme do relacionamento entre Michael e Jordan. O menino se afeiçoou ao cantor e com ele se entendia muito melhor, pois Michael, apesar de ser um astro multimilionário com uma agenda lotada de compromissos, dedicava-lhe muito mais atenção.
Não é difícil entender por que uma criança se relacionava tão bem com Michael Jackson. Ele não era apenas um artista extraordinário, original, extremamente criativo e cativante, ele tinha o espírito infantil. Gostava de brincar, gostava das mesmas coisas que as crianças gostam, ele as compreendiam e elas o compreendiam muito bem.
Em entrevista a Larry King, em 2000, Lisa Presley, então divorciada de Michael, respondeu à pergunta de Larry sobre o envolvimento de Michael com crianças: “Ele é uma criança e outras crianças percebem isso.” “Ele realmente tem uma conexão com crianças, com bebês.
Não são poucas as pessoas que descrevem Michael como uma criança. Como um homem com alma de criança, um coração infantil no corpo de um adulto. Nem todos viam isso de forma positiva e o descrevem não apenas como um menino, mas um menino mimado e difícil. Para alguns a recusa em crescer era um problema psicológico provocado pelos traumas de infância, ou simplesmente por não ter vivido a infância de forma plena, que deveria ser tratado.
Para outros, Michael simplesmente gostava demais da infância e dela não queria sair. Muitos consideravam o lado infantil de Michael o que ele tinha de mais adorável, como o advogado Johnny Cochran.
Apesar das divergências de opiniões sobre o que fez de Michael um homem-criança, o fato é que são muitas as pessoas que tinham esta percepção dele como um menino. O que não significa que ele tivesse a mente de uma criança. Longe disso. Michael Jackson era um homem extremamente inteligente, que comandava cada detalhe de sua carreira com muita competência. O que fazia de Jackson um menino, segundo aqueles que com ele conviveram de perto, era a sua capacidade de ser manter puro, com coração inocente e jovial. Veja algumas declarações nos vídeos abaixo:


As pessoas que conheciam Michael de perto e o descrevem como um adulto de coração infantil não são idiotas ou cegos adoradores. São pessoas inteligentes e nada ingênuas.  Em entrevista a Larry King, o empresário Donald Trump, amigo de longa data de Michael, afirmou que o cantor frequentava sua casa, onde passava tarde inteiras brincando com os filhos do empresário. Trump considerava ridículas as acusações de pedofilia contra Michael, pois segundo ele, Michael era uma criança, e afirmou ter certeza absoluta de que ele jamais cometera abuso contra qualquer criança.
Quincy Jones, que trabalhou com Jackson nos álbuns Off The Wall, Thriller e Bad, dedicou várias páginas de sua autobiografia ao cantor. Dentre outros pontos interessantes, Jones fala da amizade entre Michael e sua filha, Kidada. Na época em que o produtor e Michael começaram a trabalhar juntos, o astro tinha vinte anos de idade, a menina, oito. Segundo conta Quincy, Michael e Kidada passava as tardes inteiras brincando e quando era preciso tratar de trabalho o pai a pedia que lhe “emprestasse” Michael por alguns instantes. Kidada era tão ligada a Michael que chegou a efetuar noventa interurbanos para ele em um único mês. Para Quincy, Kidada e Michael se davam tão bem porque tinham a mesma alma pura e infantil.
Intrigante que a imprensa nunca tenha dado muita atenção à amizade entre Michael Jackson e crianças do sexo feminino, embora fossem muitas.
Keith Badgery, que foi motorista de Jackson durante a Dangerous Tour, escreveu o livro “Baby You Can Drive My Car” onde fala da experiência incrível de trabalhar para o cantor, por que desenvolveu um a sincera admiração. Em seu livro, Keith fala na amizade entre Michael com crianças, afirmando não ser verdade o que a imprensa dizia, de que Michael preferia a companhia de crianças, mas sim, que ele preferia a companhia de pessoas que ele conhecia desde que elas eram crianças e, portanto, podia confiar.
Durante uma viagem a Londres, relatada pelo cinegrafista que acompanhou Michael e Uri Geller em suas excursões, Michael esteve o tempo todo na companhia de uma jovem inglesa que se hospedou no mesmo hotel que ele. Dias depois, Macaulay Culkin se juntou ao grupo.Mas se buscarmos por reportagens daquela época, encontraremos fotos de Michael e Macaulay por toda parte, fazendo compras, se divertindo, mas não veremos a garota. E por que não?
Haveria algum interesse em convencer o público de que Michael era homossexual? Como se isso fosse um ponto negativo? Um argumento na tentativa de convencer o público de que ele era pedófilo? Como se homossexualismo e pedofilia andassem juntos?
Michael sempre afirmou que não era gay, e seus amigos reafirmam o que ele disse:


O fato é que Michael Jackson gostava de crianças, meninos ou meninas. Mas sua amizade com meninas não ganhava capas de revistas.
A mesma manipulação dos fatos pode ser constatada quando a mídia mostra Michael na companhia de crianças, sem a presença dos pais, embora eles estivessem por perto. Como quando ele viajou na companhia dos Cascios para Europa. Michael foi fotografado com os garotos, mas o pai, Dominic, não aparece nas fotografias, embora estivesse lá com eles.

Parte 2: http://theuntoldsideofthestorymj.blogspot.com.br/2012/02/caso-chandler-parte-2-o-plano.html

2 comentários »

  • Roberto said:  

    Lindo o trabalho de vcs, lindo mesmo. Michael merece respeito!

  • Daniela Ferreira said:  

    Obrigada, Roberto. Fico feliz que tenha gostado.

  • Sesini duyur!

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