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Tio Ray e o famigerado livro All That Glitters

 

Vendeta de Evan contra Michael: Entra Ray Chandler
 
 
Por vindicatemj e David Edwards
Fonte: vindatemj.wordpress.com
Traduzido por Daniela Ferreira
 
 
Depois de dar uma olhar para o acordo entre as Chandlers e Michael Jackson, é interessante ver o quão bem ele foi observado por ambas as partes.
Assim que os Chandlers concordaram em não arruinar a vida de Michael com quaisquer outras notícias (a graça que custou a Michael ou a companhia de seguros dele, cerca de 15 milhões de dólares) Evan Chandler e o irmão dele, Ray Chandler, imediatamente começaram a procurar uma oportunidade para quebrar esse acordo. Como Ray considerou que ele não estivesse vinculado ao acordo, começou as negociações sobre a publicação da versão dele sobre a saga de Jordan.
Eu me pergunto por que Ray não estava vinculado pelo acordo. Não é estranho que os advogados de Michael tenham incluido lá quase todos à vista, mas negligenciado parentes imediatos de Evan - seu irmão Ray? O irmão, no entanto, ainda pode ser considerado como um "representante" da família, por isso quem sabe como o tribunal de arbitragem teria encarado o caso, se ele nunca chegou a uma disputa?
Você vai se lembrar de que a soma do acordo era para ser pago integralmente em qualquer caso – mesmo que o contrato fosse quebrado –, mas ainda havia o perigo de que Michael pudesse tomar algum dinheiro de volta se o tribunal arbitral decidisse em favor dele. No entanto, apesar de uma possível reivindicação do lado de Michael, o desejo dos Chandlers em quebrar o acordo era simplesmente demasiado forte para ser superado, por isso aqui vai...
A história que Ray Chandler disse a várias editoras aponta claramente para Evan Chandler como sendo parte do projeto. Uma editora americana, Judith Regan, diz que ela foi abordada por Ray Chandler, dentro de dias, após a família resolver o caso:
“Eu recebi um telefonema do tio da Jordan. Ele queria fazer um livro no qual ele descrevia, em detalhes, a alegação de abuso sexual contra Michael Jackson. Então eu perguntei como ele se propôs a fazer isso dado o fato de que os Chandlers tinham realmente assinado um acordo de confidencialidade e levados $ 20milhões. (15.3 milhões de dólares, para ser exato). E ele disse que o pai de Jordan lhe tinha dado todas as informações que precisava para o livro e ele acreditava que estava fora dos limites do acordo de confidencialidade, porque ele seria o autor. Na época, eu tinha a impressão de que os Chandlers foram oportunistas descarados e considerei toda a proposta feita pelo tio desagradável. Eles entram em um acordo de confidencialidade e antes que a tinta secasse estavam procurando por um negócio que violaria aquele acordo?”
Na verdade, primeiro eles assinaram um acordo e roubaram o dinheiro. E no momento seguinte eles o violaram, sem sequer pestanejar?
 Bem, seja o que for que cada um de nós pense das razões para a assinatura do acordo, uma violação grosseira das obrigações ocorreu lá e a maneira fácil como foi feita fala muito sobre o belo caráter de Evan Chandler, o comportamento dele é de inegável intergridade, não?
Um dos passos dos Chandlers foi refutar o artigode de Mary Fischer “Was Michael Framed?”, que foi publicado originalmente pela revista GQ, em outubro de 1994. A “refutação” foi publicada em um site de Haters, onde se referiam a ele como um “argumento convincente de que o artigo de M. Fischer na melhor das hipóteses é extremamente desleixado e, na pior, intencionalmente falso”.
O autor do artigo anti-Fischer é, provavelmente, Ray Chandler, pois a pessoa que escreveu, muitas vezes refere-se ao livro “All That Glitters”, a obra dele.
No entanto, esta é uma suposição apenas, pois o nome exato do autor, a fonte de onde o artigo vem, e a data em que foi publicado estão envolto em algum mistério. A data de outubro de 1994, no título, na verdade, refere-se ao artigo de Mary Fischer, e é, evidentemente, colocada ali de propósito para direcionar os leitores interessado no real artigo de Mary Fischer para um falso, escrito por Ray Chandler, que ele chama de a “réplica” dele.
Dar, assim o mesmo título e data para o artigo é apenas um truque de marketing por parte do autor, com o intuito de confundir os leitores – eles procuram por uma coisa e encontram outra, e em vez do artigo de Mary, deparam-se com algo que é totalment o oposto. E é essa pessoa que emprega tais truques sujos que tem a intenção de refutar o artigo de Mary Fischer como intencionalmente falso? Está bem...
A chamada refutação foi, naturalmente, escrita muito mais tarde, pois o autor lá se refere ao livro “All That Glitters”, que somente foi publicado em setembro de 2004. Ele também falsamente alega que no mesmo mês, Mary Fischer teve “uma mudança de coração” e pediu que o artigo dela fosse removido.
Bem, em primeiro lugar, ela não teve uma “mudança de coração”, pois recentemente ela permitiu que o artigo dela fosse reimpresso em AboveTopSecret.com (eu vi o consentimento dela com meus próprios olhos lá), e, em segundo lugar, seria bom se o autor do artigo deixasse de contar mentiras e fazer truques sujos para chamar a atenção para a estória dele. Ou ele pensa que é através de mentiras que a verdade deve ser dita?
Nota da tradutora: Mary Fisher, recentmente lançou o artigo como um livro, que se encontra à venda no amazon.com, daí você percebe como Ray Chandler era dado á verdade...
Seja qual for o caso, vamos ver o que esse um tanto misterioso e astuto autor tem a dizer. O artigo dele é uma massa bem estruturada de detalhes, em que as questões importantes (Jason Francia) e sem importância (o número de scripts que Evan Chandler escreveu) são misturados para criar a impressão geral de que uma pesquisa séria foi feita, sem que um único detalhe tenha sido esquecido ou não analisado.
A ideia principal do artigo é tentar provar que não era extorsão e substituir isso pela ideia de que as partes estavam envolvidas em negociações usuais para todos os acordos fora dos tribunais.
Enquanto percorria as 22 páginas dos inumeráveis e desnecessários detalhes, eu procurei uma resposta para uma pergunta que é realmente crucial para a questão e resolveria isto de uma vez por todas: Quem foi o primeiro a sugerir a liquidação financeira?
Se foi Michael quem ofereceu o dinheiro, isso poderia dar alguns motivos para pensar que ele era realmente quem estava “comprando o silêncio dos Chandlers”, mas se foi os Chandlers os primeiros a exigí-lo, isso apontaria para uma direção totalmente diferente...
O assunto não ficou muito claro, especialmente porque o artigo vagamente dá a entender que foi “Pellicano que sugeriu o acordo para o filme”. Então eu realmente não esperava encontrar uma resposta para minha pergunta neste artigo especial e fiquei agradavelmente surpresa quando eu encontrei. O que é ainda mais precioso sobre isso é que a informação é de primeira mão, vem da fonte original (Ray ou, provavelmente, do próprio Evan Chandler).
Após aproximadamente 12 páginas duelando nisto e, finalmente, o autor pergunta à Mary Fischer em uma maneira um tanto desafiadora “então, quando a extorsão ocorreu?”, e responde à pergunta dois parágrafos adiante: “após o encontro em Westwood Marquis, em 4 de agosto de 1993, entre Evan, Jordan, Michael e Pellicano terminar sem resolução, Pellicano encontrou-se no escritório de Barry Rothman, mais tarde, naquele dia, momento em que Rothman fez uma exigência de US $ 20 milhões”.
“Rothman fez uma exigência de US $ 20 milhões”!
Portanto foi Rothman! E assim, consequentemente, Evan Chandler, quem levantou a questão de dinheiro! E até mesmo “exigiu” isso, como o autor colocou. Graças a Deus Michael não tinha nada a ver com isso...
No entanto, o autor, evidentemente, não percebeu o que ele acabou de dizer e está a tentar provar o ponto de que a coisa toda não era nada além de negociações:
• “Pellicano não rejeitou a demanda de 20 milhões dólares definitivamente. Ele afirmou que iria conversar com o cliente dele e voltar para Rothman. A gravação que Pellicano fez de Rothman na secretária eletrônica revela que Pellicano fez uma contraproposta de US $ 1 milhão, em 09 de agosto, que foi rejeitada por Evan. Para punir Evan por argumentar com ele, Pellicano voltou com uma oferta de US$ 350.000 em 13 de agosto. Em 17 de agosto, como evidenciado pela gravação de Pellicano, os dois homens ainda estavam negociando.”
• “As negociações continuaram ao longo de um período de duas semanas e foram citadas por autoridades como apenas uma das razões pelas quais se concluiu que não havia ocorrido a extorsão. Outra razão foi que a polícia não ouviu nenhuma palavra de extorsão nas duas gravações oferecidas pelo campo de Jackson. Nem a imprensa.”
 
Agora eles estão falando sério? Que coisa ridícula de dizer! A polícia não ouviu as palavras exatas de extorsão e foi o que os impediu de ver a verdadeira natureza do projeto de Evan Chandler? Eu não sabia que a polícia era tão ingênua e precisava de alguém para mostrá-los como colocar dois e dois juntos...
O autor prossegue:
 
. “De acordo com a declaração oficial feita pela polícia de Los Angeles, a prova revelou que as partes estavam envolvidas em negociações legítimas para resolver ações judiciais fora dos tribunais – algo que a lei incentiva, o porta-voz da polícia disse”.
Concordo que tais negociações podem, por vezes, ser legítimas e que a lei pode até incentivar tais coisas. Por exemplo, se o acusado de qualquer delito oferece dinheiro por próprio e livre arbítrio. Mas tendo os braços dele torcidos da forma como foi feito neste particular caso, adiciona uma dimensão totalmente diferente a toda a história! Não é de admirar que o autor tanha dedicado apenas meia página das 22 da narração dele a essa questão crucial, mas incômoda. Ele claramente se sente desconfortável com isso.
O fato de que Michael não ofereceu nenhum dinheiro, ele mesmo, e de que era totalmente contra a qualquer pagamento aos Chandlers e não fez acordo quando ainda era possível evitar todo o horror de uma investigação criminal e o assédio da imprensa é prova suficiente de que ele não se sintia culpado de qualquer delito e estava enfrentando o futuro com uma esperança de obter um tratamento justo e alguma justiça, mesmo que viesse um processo penal contra ele.
O que é mais interessante sobre o artigo de Chandler?
 
• Diz e repete, pelo menos duas vezes, uma mentira ultrajante de que o menino deu uma “descrição precisa dos sinais distintivos na genitália de Michael”, embora o autor saiba que, com certeza, tanto em 1994, 2005 ou qualquer que seja o ano do artigo, é uma mentira completa e que a descrição e fotos eram tão semelhantes e “correspondiam” tanto quanto preto e branco são iguais.
 
Nota da tradutora: tanto a descrição não correspondia que Larry Feldman, advogado dos Chandlers, pediu que as fotos fossem retiras do processo!
 
• O autor também alega que havia pornografia infantil encontrada na casa de Jackson, o que é uma coisa completamente ridícula de se dizer. Se tivesse sido dessa maneira este fato por si só teria sido suficiente para indiciar Michael, julgá-lo e colocá-lo na cadeia, (sem que as acusações dos Chandlers fossem necessárias), pois manter a pornografia infantil é um crime por si só.
• O artigo também diz que um dos guarda-costas alegou que Michael tinha lhe odado ordens para destruir a imagem de um menino nu, que foi gravada no espelho do banheiro particular dele. Eu por acaso vim a saber que o nome desse guarda-costas era Leroy Thomas, que contou essa mentira de forma imprudente e até mesmo se submeteu a um teste de polígrafo para provar isso.No livro “The King Of Pop Darkest Hour” Lisa Campbell diz que “os resultados mostraram que ele foi sincero em algumas perguntas, mas ele falhou em outras questões, principalmente de que Michael havia pedido a ele para destruir uma foto de um menino nu” (essa foto nunca esteve lá, em primeiro lugar, não há que se falar na necessidade de destruí-la).
• O autor também refuta a história do amital sódico, que diz que a verdade foi extraída de Jordan junto com o dente dele. Essa refutação foi, porém, negada mais uma vez pelo próprio autor, que fez um relato completamente diferente da mesma situação no livro dele “All That Glitters”. Lá, ele diz que o menino foi colocado para dormir para ter o dente puxado para fora e quando ele acordou, a primeira  pergunta que o pai lhe fez  foi sobre o delito de Jackson contra  e foi a primeira vez que ele disse “sim”.
 
Nota da tradutora: Jordan também rlatou o ocorrido ao psiquiatra Ricahr Gardner.
 
Esta enumeração chata poderia continuar. É apenas a mistura usualmente tediosa de mentiras e meias-mentiras polvilhada com alguma verdade, para ser engolida, à noite, por um mediano leitor de tabloide...
O final da história é extremamente impressionante, embora se veja como a hipocrisia e a falsidade está escorrendo de cada palavra da estrondosa conclusão do autor:
De quando em quando, novamente, a história nos ensinou que uma imprensa livre e sem restrições é essencial para que uma sociedade democrática possa prosperar. Tão evidente foi isso para nossos Pais Fundadores que eles protegeram a imprensa na alteração da primeirenda à Constituição.
Desde aquela época, particularmente nos últimos anos, a Suprema Corte continuou a salvaguardar o papel vital da mídia, atribuindo a jornalistas o reforço da proteção por se recusar a revelar fontes e aumentando a imunidade de responsabilidade para relatar o que eles acreditavam ser a verdade, mesmo quando se tornaram falsas e difamatórias.
Bem, não parece que o  autor está praticamente nos avisando que o que acabamos de ler no artigo dele pode vir a ser “falso e difamatório” e não haverá ninguém a ser culpado por isso, pois este direito é garantido pelo Supremo Tribunal?
O artigo continua a falar sobre a responsabilidade de relatar a verdade, mas desde que isso não tem qualquer relação com este particular autor, nós devemos apenas deixar por isso mesmo.
Este é o link para o artigo original (não recomendado):
 
Eu incluí um trecho que fala sobre o uso de amital de sódio. Esta é a mais importante peça de informação para exonerar MJ daquelas acusações. Odiadores de MJ adoram usar a declaração de Jordie como “prova” irrefutável de que MJ é culpado, então temos que ter certeza de que podemos provar definitivamente que amital de sódio foi utilizado. Mesmo que, obviamente, nunca poderemos provar com 100% de precisão que foi utilizado (apenas Jordie e Dr. Torbiner poderiam fazer isso), o fato de que Jordie não conseguiu a descrição correta fala muito e erradica a “declaração” dele, encontrada no Smoking Gun.
Ray usa a mesma lógica enviesada que Diane Dimond usa no livro dela: porque o Dr. Torbiner não apresentou a documentação correta, então ele não poderia tê-lo usado. Também porque não há “nenhuma demanda” por amital sódico na rua, ele não poderia ter, eventualmente, ter obtido ilegalmente. Se é possível para Dr. Torbiner obter essas outras drogas e ilegalmente usá-las para fins não dentários (o que levou a UCLA a “pedir-lhe para deixar” o papel dele como professor assistente), então é certamente uma possibilidade para ele obter amital sódico sem o conhecimento da DEA. Talvez ele tenha pedido a outro médico sórdido que o obtivesse por ele?
Agora, Ray touxer um bom ponto, que é algo a que me referi em um post anterior. Por que tanto Evan ou Dr. Torbiner admitiram ou até mesmo implicaram que amital sódico foi utilizado? Minha teoria é apenas que, de alguma forma, o reporter (cujo nome é Henry Levin) descobriu isso, através de uma fonte próxima ao Evan, e então ele emboscou Evan com a pergunta, pegando-o desprevenido. Depois de ver a reportagem de Henry Levin, Mary Fisher foi ao Dr. Torbiner, e porque era quase um ano depois, ele provavelmente tinha uma memória difusa sobre o incidente (porque ele atendeu a muitas “chamadas de casa” para os pacientes dele, eu acho), e foi por isso que ele disse: “Se eu usei, foi para fins odontológicos”. Eu não sei, issoo é apenas minhas suspeitas! Ray também questiona quando ou se Henry Levin entrevistou Evan, que é o que eu quis saber também, devido ao acordo de confidencialidade a ser assinado em janeiro de 1994.
Em seguida, Ray passa a implicar que, já que os meios de comunicação não informaram essa “bombástica” evidência que ajudaria a exonerar MJ, então não deve ser verdade. Mas desde quando é que a mídia relata qualquer coisa que exonere MJ? Quanto à afirmação dele de que Evan & Dr. Torbiner não poderiam ter implantado as memórias, porque eles não tinham formação, bem, talvez alguém mais o tenha feito ao longo de um período de vários dias ou semanas, ou talvez eles realmente tivessem algum tipo de treinamento.
Lembre-se, de acordo com o psiquoatra Resnick, basta que se façam perguntas de uma forma não neutras (ou seja, questões induzitivas) para que as “lembranças” sejam implantadas. Evan disse que havia pessoas “em determinadas posições”, que estavam esperando pela “chamada” dele, portanto, talvez ele tivesse algum tipo de assistência.
 
Nota da tradutora: Vale lembrar, também, que após a extração de dente com o uso do amital sódico, Jordan foi levado ao psiquiatra Mathis Abrams para uma sessão de cerca de quatro horas. Mathis Abrams tinha treinamento suficiente para reforçar as falsas lembranças, o que não seria difícil, uma vez que Jordan já estava altamente sugestionável, pois a mital leva a pessoa a acreditar piamente no que não passa de imaginação.
Aqui você encontra um artigo sobre a produção de memórias. E aqui você tem outro. E mais este sobre o uso de amital. E este excelente artigo do psiquitra August Piper sobre “soros da verdade”. Se não basta leia este e veja o que amital pode causar. Ah, sim, eles o usaram em Jordan. E você também pode ler sobre como crianças são levadas, facilmente, a acreditar no que nunca aconteceu nesta série de artigos.
 Ray inssite que não há nenhuma maneira de que essas memórias pudessem ter sido implantadas, porque Jordie enganaria muitos policiais, terapeutas, etc. Mas toda a questão da implantação de falsas memórias é fazer com que a vítima acredite que são verdadeiras e, posteriormente, todo mundo vai acreditar nelas também! Olhe para os outros casos em que pessoas foram hipnotizadas com amital sódico e outros métodos e colocaram os “autores” atrás das grades.
Ray, então, usa a descrição que Pellicano fez de Jordie na reunião deles, para dizer que Jordie não poderia ter sofrido uma lavagem cerebral. Mas lembre-se, Evan disse a Jordie que ele nunca iria contar a ninguém, assim Jordie poderia parecer embaraçado por Evan estar ameaçando MJ com essas alegações, não que elas fossem verdadeiras. Mesmo que fosse uma lavagem cerebral, ele ainda acreditava que Evan iria manter as acusações em segredo.
Por fim, Ray passa a vender a mesma mentira que Sneddon, Dimond, Orth, e tantas pessoas nos meios de comunicação têm dito há anos: a descrição de Jordie combinou! O que absolutamente me deixa perplexo quando as pessoas dizem isso, é que elas nunca explicam por que MJ não foi preso! O objetivo da busca foi determinar se havia uma correspondência, que teria sido a causa provável necessária para prendê-lo! Eles alegam que a descrição Jordie das manchas de vitiligo combinava, mas eles sempre IGNORAM a característica mais definidora do pênis de qualquer homem: MJ não era circuncidado!!!
Leia aqui, aqui e aqui o quão errada a descrição de Jordan estava.
 
No final do trecho, eu incluí uma nota de rodapé sobre o Dr. Torbiner se recusar a reconhecer o que ele disse ou não disser a Fischer, citando privilégios médico-paciente. Tenho certeza que se Fischer tivesse mentido sobre o que ela afirma que o Dr. Torbiner disse a ela, ele teria tomado medidas legais logo após o artigo ser lançado em 1994. O silêncio dele é um tácito reconhecimento de que ele realmente disso a ela, em minha opinião!
Bem, eu incluí um link para a refutação inteira. Eu só queria ficar com o tópico mais importante, mas você está livre para olhar para ele e ver se há alguma coisa que você quer refutar. Não importa o que Ray, Orth, Dimond, ou qualquer outra pessoa diz, nós fãs de MJ temos estes fatos do nosso lado que haters precisam abordar antes que eles chamem de MJ culpado:
1. O Chandlers reconheceram, eles prórpios, que se MJ tivesse pago os $ 20 milhões em agosto de 1993, eles não teriam notificado as autoridades sobre “abuso sexual” contra Jordie. (ATG página 128).
2. A descrição de Jordie não corresponde. Ponto

3. A seguradora de MJ negociou e pagou pela liquidação de $ 20 milhões, (na verdade 15.3 milhões) sem a aprovação dele, e o acordo não impedia que os Chandlers depusessem no tribunal criminal. E não há nenhuma garantia de que MJ teria sido indiciado mesmo que eles cooperassem com as autoridades.
4. Em julho de 2009, Judith Regan reconheceu que Ray Chandler propôs a ela um contrato para um livro contando “o lado dele da história”, logo depois que o acordo de confidencialidade foi assinado, e ela os descreveu como “oportunistas descarados”. E Evan também ajudou Victor Gutiérre escrever “MJ Was My Lover”!
5. Jordie legalmente emancipou-se em algum momento entre 1994 e 1996, o que é muito suspeito. Ele voltou a ter contato com Evan em algum momento de 2005, e Evan quase o matou em agosto de 2005.
6. Em 1996, Evan processou MJ, Lisa Marie Presley, ABC News, e a Sony por US $ 60 milhões de dólares, e o direito a gravar um álbum refutação chamado “EVANstory”. Ele não queria a atenção da mídia por depor em um tribunal contra MJ, mas queria gravar um álbum louvo? Você está falando sério?
7. Jordie, Evan e Ray se recusaram a testemunhar contra MJ em tribunal, e o depoimento de June foi cheio de mentiras. Ela alegou que não tinha conhecimento de que Dave Schwartz tinha US $ 5 milhões em dívidas, quando Ray disse que não só ela sabia, mas ela pediu a MJ $ 4 milhões emprestados. Ela também disse que não processou MJ, quando o nome dela está em todo aquele processo.
8. Jordie disse ao FBI, em 2004, que iria tomar medidas legais contra Sneddon, se ele fosse intimado. Por que ele tinha tanto medo de ser interrogado? Era por que Mesereau tinha testemunhas que iriam desmascará-lo?
Para o artigo de Mary Fisher clique:
 
 
Devamını oku...

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Michael Jackson Foi Vítima de Conspiração" 3º parte

Michael Jackson Foi Vítima de uma Conspiração? Terceira Parte

Título original: "Was Michael Jackson Framed?"


Por Mary Fischer


Fonte: GQ Magazine, 1994


Créditos a MJ Beats


Traduzido por Ghost


Revisado por Niemand

A natureza da conduta profissional de Torbiner parece tê-la tornado muito bem sucedida. "Ele se gaba de ter US$ 100,00 em despesas e US$ 40.000 de lucro por mês", diz Nylla Jones, uma ex-paciente. Torbiner não tem um consultório para atender os pacientes, mas ele viaja para vários consultórios em torno da cidade, onde ele administra anestesia durante os procedimentos.

Esta revista (GQ) tomou conhecimento de que o Conselho Nacional de Administração de Medicamentos está sondando um outro aspecto da conduta profissional de Torbiner: Ele faz visitas domésticas para administrar drogas - principalmente Morfina e Demerol - não apenas no pós-operatório para seus pacientes odontológicos, mas também, ao que parece, a aqueles que sofrem de dor cuja origem não tem nada a ver com algum procedimento odontológico. Ele chega à casa de seus clientes - alguns deles celebridades – com um tipo de caixa de pesca que contém drogas e seringas. Ao mesmo tempo, na placa de seu Jaguar se lê "SLPYDOC" [nota da revisora: corruptela de “sleepy doctor”, algo como, “doutor de quem está com sono”]. Segundo Jones, Torbiner cobra US$ 350,00 para uma visita básica de dez a vinte minutos. No que Jones descreve como prática padrão, quando não está claro quanto tempo será necessário que Torbiner fique, o cliente, antecipando o estupor que logo chegará, deixa um cheque em branco para que Torbiner preencha com a quantia adequada.

Torbiner nem sempre foi bem sucedido. Em 1989, ele foi pego em uma mentira e foi convidado a se retirar da UCLA, onde ele era um professor assistente na Faculdade de Odontologia. Torbiner pediu para ter um meio-dia de folga para que ele pudesse celebrar um feriado religioso, mas, em vez disso, foi encontrado mais tarde trabalhando em um consultório odontológico.

Uma análise das credenciais de Torbiner com o Conselho de Examinadores Odontológicos indica que ele está restrito por lei à administração de medicamentos exclusivamente relacionados a procedimentos odontológicos. Mas há provas claras de que ele não tem honrado essas limitações. Na verdade, pelo menos em oito ocasiões, Torbiner administrou um anestésico geral em Barry Rothman, durante procedimentos de transplante de cabelo. Embora normalmente uma anestesia local seja aplicada no couro cabeludo, "Barry tem tanto medo de dor", diz o Dr. James De Yarman, médico de San Diego que realizou os transplantes em Rothman, "que [ele] queria apagar completamente." De Yarman disse que ficou "espantado" ao saber que Torbiner é um dentista, tendo pensado o tempo todo que ele era um médico.

Em outra ocasião, Torbiner foi até a casa de Nylla Jones, segundo ela, e aplicou nela Demerol para ajudar a aliviar a dor que ela sentia após fazer uma cirurgia de apêndice.

Em 16 de agosto, três dias depois de Chandler e Rothman terem recusado o acordo para um roteiro de US$350.000,00 a situação chegou ao seu limite. Em nome de June Chandler Schwartz, Michael Freeman comunicou a Rothman que entraria com uma ação na manhã seguinte para forçar Chandler a devolver o menino. Reagindo rapidamente, Chandler levou seu filho até Mathis Abrams, o psiquiatra que enviou a Rothman sua avaliação da situação hipotética de abuso sexual infantil. Durante uma sessão de três horas, o rapaz alegou que Jackson havia tido relação sexual com ele. Ele falou de masturbação, beijos, carícias dos mamilos e sexo oral.

O próximo passo era inevitável. Abrams, que é obrigado por lei a relatar qualquer acusação para as autoridades, ligou para uma assistente social do Departamento de Serviços para Crianças, que por sua vez, contatou a polícia. A investigação completa de Michael Jackson estava prestes a começar.

Cinco dias depois de Abrams ligar para as autoridades, a mídia ficou sabendo da investigação. Na manhã de domingo, 22 de agosto, Don Ray, jornalista free-lance em Burbank, estava dormindo quando seu telefone tocou. O autor da chamada, um de seus informantes, disse que tinham sido emitidos mandados de busca para o rancho e o condomínio de Jackson. Ray vendeu a história para a KNBC LA-TV, que deu o furo de reportagem às 4 da tarde do dia seguinte.

Depois disso, Ray "assistiu esta história ir longe, como um trem de carga", diz ele. Dentro de vinte e quatro horas, Jackson foi o assunto principal em setenta e três noticiários só na área de Los Angeles e estava na primeira página de todos os jornais britânicos. A história de Michael Jackson e o garoto de 13 anos se tornou um frenesi de exageros e rumores infundados, com a linha que separa a imprensa séria dos tabloide praticamente eliminada.

A extensão das alegações contra Jackson não foram conhecidas até 25 de agosto. Uma pessoa de dentro do Departamento de Serviços para a Criança ilegalmente vazou uma cópia do relato de abuso para Diane Dimond do Hard Copy [nota do tradutor: Programa de notícias tabloidianas dos EUA]. Poucas horas depois, o escritório de uma agência de notícias britânica em Los Angeles também obteve o relato e começou a vender cópias para qualquer repórter disposto a pagar US$ 750,00. No dia seguinte, o mundo todo conhecia os detalhes explícitos contidos no relato. "Enquanto estavam deitados um ao lado do outro na cama, Jackson colocou a mão dentro das calças [da criança]", escreveu a assistente social. A partir daí, a cobertura da imprensa logo demonstrou que valia tudo sobre Jackson.

“A concorrência entre as agências de notícias tornou-se tão acirrada”, diz o repórter da KNBC, Conan Nolan, que "as histórias não estavam sendo verificadas. Foi uma coisa muito infeliz." O The National Enquirer [nota da revisora: tablóide britânico] colocou vinte repórteres e editores no caso. Uma equipe bateu em 500 portas em Brentwood tentando encontrar Evan Chandler e seu filho. Utilizando os registros de propriedade, eles finalmente conseguiram, avistaram Chandler em sua Mercedes preta. “Ele não ficou feliz. Mas eu fiquei”, diz Andy O’Brien, fotógrafo de um tabloide.

Em seguida vieram os acusadores - ex-empregados de Jackson. Primeiro, Stella e Philippe Lemarque, ex-governantas de Jackson, tentaram vender sua história para os tabloides com a ajuda do intermediário Paul Barresi, uma ex-estrela pornô. Eles pediram meio milhão de dólares, mas acabaram vendendo uma entrevista ao The Globe da Grã-Bretanha por US$15.000,00. Os Quindoys, um casal filipino que havia trabalhado em Neverland, fizeram o mesmo. Quando o preço era de US$100.000,00, eles disseram que "a mão estava por cima da calça do garoto", Barresi disse a um produtor do Frontline, um programa de TV. "Assim que o preço subiu para US$500.000,00, a mão foi para dentro da calça. Então qual é, né?" A promotoria de Los Angeles concluiu que ambos os casais eram inúteis como testemunhas.

Depois vieram os guarda-costas. Pretendendo subir na carreira jornalística, Diane Dimond do Hard Copy disse ao Frontline no início de novembro do ano passado que seu programa era "honesto sobre este assunto. Nós não pagamos dinheiro por essa história toda". Mas duas semanas mais tarde, como revela um contrato do Hard Copy, o show estava negociando um pagamento de US$ 100.000,00 para cinco ex-seguranças de Jackson que estavam planejando entrar com um processo de US$ 10.000.000,00 alegando que foram demitidos injustamente.

No dia 1 de dezembro, com o acordo feito, dois dos seguranças apareceram no programa, eles haviam sido demitidos, Dimond disse aos telespectadores, porque "sabiam demais sobre a estranha relação de Michael Jackson com meninos". Na realidade, como seus depoimentos sob juramento três meses depois revelaram, era claro que eles nunca haviam realmente visto Jackson fazendo nada impróprio com o filho de Chandler ou com qualquer outra criança:

“Então você não sabe nada sobre o Sr. Jackson e o garoto, não é?” Perguntou um dos advogados de Jackson ao ex-segurança Morris Williams que estava sob juramento.

“Tudo o que eu sei é de documentos que contêm o juramento de outras pessoas”.

"Mas, além do que outra pessoa possa ter dito, você não tem conhecimento de primeira mão sobre o Sr. Jackson e [o menino], não é?"

“Correto”.

“Você já falou com alguma criança que disse a você que o Sr. Jackson fez algo inapropriado com ela?”

“Não.”

Quando questionado pelo advogado de Jackson sobre a origem de suas impressões, Williams respondeu:

"Só pelo que eu tenho ouvido nos meios de comunicação e pelo que eu vi com meus próprios olhos".

“OK. Esse é o ponto. Você nunca viu nada com seus próprios olhos, certo?”

“Certo, nada”.

(O processo dos seguranças, apresentado em Março de 1994, ainda estava pendente quando este artigo foi para a imprensa).

Nota: o caso foi encerrado em Julho de 1995.

Em seguida veio a empregada. Em 15 de dezembro, o Hard Copy apresentou "O doloroso segredo da empregada que arrumava o quarto”. Blanca Francia disse a Dimond e a outros repórteres que tinha visto Jackson nu tomando banhos de chuveiro e em banheiras de hidromassagem com garotos. Ela também disse a Dimond que havia testemunhado o seu próprio filho em posições comprometedoras com Jackson - uma alegação em que os grandes júris, aparentemente, nunca acreditaram.

Uma cópia do depoimento sob juramento de Francia revela que o Hard Copy lhe pagou US$20.000,00, e que Dimond tinha verificado as alegações dela, e teria descoberto que eram falsas. Interrogada por um advogado de Jackson, Francia admitiu que nunca havia realmente visto Jackson no chuveiro com ninguém nem o tinha visto nu com os meninos em sua banheira. Eles sempre estavam com suas roupas de banho, ela reconheceu.

A cobertura da imprensa, disse Michael Levine, um assessor de imprensa de Jackson, “seguiu uma visão proctologista do mundo. O Hard Copy foi repugnante. O tratamento vicioso e vil desse homem na mídia se deu por motivos egoístas. Mesmo que você nunca tenha comprado um álbum do Michael Jackson, você deve ficar preocupado. A sociedade é construída sobre alguns poucos pilares. Um deles é a verdade. Quando você abandona isso, você vai ladeira abaixo”.

A investigação de Jackson, que em Outubro de 1993 viria a envolver pelo menos doze detetives do Condado de Santa Barbara e de Los Angeles, foi instigada, em parte, pelas percepções de um psiquiatra, Mathis Abrams, que não era um especialista em matéria de abuso sexual infantil. Abrams, observou o relatório da assistente social da DCS, "sente que a criança está dizendo a verdade." Em uma era de queixas generalizadas e muitas vezes falsas de abuso sexual infantil, a polícia e os promotores têm dado grande importância para o testemunho de psiquiatras, terapeutas e assistentes sociais.

A polícia apreendeu a agenda telefônica de Jackson durante as buscas em suas residências, em agosto, e questionou quase trinta crianças e suas famílias. Alguns, como Wade Robson e Brett Barnes, disseram que eles haviam compartilhado a cama com Jackson, mas, como todos os outros, deram a mesma resposta – Jackson não havia feito nada de errado. "As evidências eram muito boas para nós", diz um advogado que trabalhou na defesa de Jackson. "O outro lado não tinha nada, a não ser uma boca grande".

Apesar das evidências insignificantes apoiando a sua convicção de que Jackson era culpado, a polícia intensificou os seus esforços. Dois oficiais voaram para as Filipinas para tentar conferir a história da "mão nas calças" contada pelos Quindoys, mas aparentemente decidiram que ela não tinha credibilidade. A polícia também empregou técnicas agressivas de investigação – o que, supostamente, incluía contar mentiras – para pressionar crianças a fazerem acusações contra Jackson. De acordo com vários pais que se queixaram a Bert Fields, oficiais afirmavam categoricamente que seus filhos haviam sido molestados, apesar das crianças negarem aos pais que qualquer coisa ruim tivesse acontecido. A polícia, Fields queixou-se em uma carta ao chefe de polícia de Los Angeles, Willie Williams, "também assusta os jovens com mentiras ultrajantes, como 'Temos fotos de você nu'. Não existe, é claro, foto nenhuma”. Um oficial, Federico Sicard, disse ao advogado Michael Freeman que ele havia mentido para as crianças que ele tinha entrevistado, dizendo-lhes que ele próprio tinha sido molestado quando criança, disse Freeman. Sicard não respondeu aos pedidos de entrevista para este artigo.


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"Michael Jackson Foi Vítima de Conspiração?" 4º parte

Michael Jackson Foi Vítima de uma Conspiração? - Quarta Parte

Título original: "Was Michael Jackson Framed?"

Por Mary Fischer
Fonte: GQ Magazine, 1994
Créditos a MJ Beats
Traduzido por Ghost
Revisado por Niemand

O tempo todo, June Chandler Schwartz rejeitou as acusações que Chandler estava fazendo contra Jackson - até uma reunião com a polícia no final de agosto de 1993. Os oficiais Sicard e Rosibel Ferrufino fizeram uma declaração que começou a mudar sua mente. "[Os oficiais] admitiram que eles tinham apenas um menino", diz Freeman, que participou da reunião, "mas eles disseram: 'Estamos convencidos de que Michael Jackson molestou este menino porque ele se encaixa perfeitamente no perfil clássico de um pedófilo’".
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Mentiras da Memória Sincera


Mentiras da memória sincera

 

 

 

Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Untold Sode of The Story

 

 

 

Só nos Estados Unidos, são 3000 casos nos tribunais baseados no depoimento de gente que garante ter recuperado lembranças traumáticas. São acusações de estupros e abusos sexuais. Bom para a Justiça? Nem tanto. Muitas dessas recordações podem ser memórias imaginárias. E o acusador nem sabe que está mentindo.

Por Carlos Eduardo Lins da Silva, em Washington, e Lúcia Helena de Oliveira. 

Nos Estados Unidos, há em pendência na Justiça pelo menos 3000 processos ativados pela suposta recordação de lembranças reprimidas na infância. Claro que a recordação dos traumas é útil para o esclarecimento de uma série de crimes. Mas pode ser uma armadilha. À ciência cabe o papel importante de definir, nesses casos, o que é uma lembrança reprimida verdadeira, que acabou sendo recuperada, e o que é memória falsa implantada. Sim, porque às vezes um cidadão pode se lembrar com detalhes de um fato que nunca aconteceu. Aí o sujeito vai lá, diz a verdade (ele está sendo absolutamente fiel à sua memória), mas sem saber está contando uma mentira (a memória dele é que não é nem um pouco fiel à realidade).

Nunca se falou tanto de falsas memórias como agora nos Estados Unidos. Em maio do ano passado, na Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, dezenas de neurologistas, psiquiatras e biólogos se reuniram para discutir o problema de quem tem recordações mentirosas. As conclusões estão longe de ser definitivas. O conhecimento científico atual ainda não consegue determinar quando uma lembrança é falsa ou verdadeira. É necessário mais empenho para desvendar como o processo da memória funciona.

É bem verdade que já se sabe alguma coisa sobre os mecanismos de memorização. Sabe-se, assim, que, ao se guardar alguma coisa na memória, as células do cérebro mudam de comportamento. Podem enfraquecer, ou reforçar, os contatos que mantinham com outras células chamados sinapses.

 Com isso, surgem dois tipos de memória: a de curto prazo e a de longo prazo. A primeira é o tipo que se usa para guardar um número telefônico apenas para discá-lo em seguida, ele pode ser esquecido. Essa memória não altera a estrutura das sinapses. Já a memória de longo prazo, duradoura, provoca mudanças, aumentando a eficiência da transmissão de sinais entre as células cerebrais. 

Além disso, em cada um dos dois tipos, a memória se subdivide em duas formas: a implícita e a explícita. A implícita lida com o conhecimento inconsciente, com as habilidades motoras e de percepção. Por exemplo: um adulto só sai andando pelo mundo porque um dia, quando ainda era um bebê, aprendeu a caminhar e guardou esse conhecimento na memória implícita ele não tem consciência de que está se recordando desse aprendizado a cada um de seus passos. A memória implícita ou inconsciente é trabalhada em diversas áreas cerebrais, em especial numa delas, conhecida como amídala.

Já a memória explícita é processada numa região chamada hipocampo e depois vai para o córtex, a superfície cerebral que funciona como sede da consciência. Esse outro tipo de memória tem a ver com o conhecimento consciente de informações, pessoas, lugares o que você aprende na escola é guardado como memória explícita. 

Na prática, porém, as coisas não são tão fáceis de ser rotuladas, pois as diversas partes do cérebro comunicam entre si. A amídala e o hipocampo podem mandar mensagens um para o outro. Um exemplo: alguém se fere num acidente de carro em que a buzina dispara. Mais tarde, esse indivíduo pode vir a ter uma reação emocional sempre que ouvir aquele som. A lembrança do acidente é clara, porque foi guardada na memória explícita (no hipocampo). Mas, quem sabe, não exista a consciência de que a buzina estava tocando quando tudo aconteceu e que esse é o motivo do medo ou do susto, toda vez que escuta o seu barulho. Porque esse detalhe da buzina disparada ficou na memória implícita (na amídala). A memória sempre registra cada detalhe de uma cena qualquer, explica a psicóloga paulista Elisabete D. R. Pimentel. Mas só temos lembranças conscientes de parte deles. E o risco surge quando uma memória falsa é confundida com algo que foi recuperado do inconsciente.

Uma das razões pelas quais certas pessoas não se lembram de experiências traumáticas da infância é que a região cerebral do hipocampo, ligada à consciência, leva tempo para amadurecer e formar memórias acessíveis. A amídala amadurece mais cedo e armazena memórias implícitas (inconscientes) desses eventos. 

Os elementos registrados nessa memória inconsciente, traumáticos ou não, irão se expressar nas funções psíquicas e comportamentais do indivíduo, diz a psicóloga Elisabete Pimentel. Para a Psicanálise, algumas lembranças, em especial as dolorosas, podem ser mantidas no inconsciente por representarem uma ameaça. É um mecanismo de autopreservação, explica Elisabete. Pois, se não há um preparo para se ter consciência das informações reprimidas, a vivência delas é como um pesadelo insuportável. 

O médico vienense Sigmund Freud (1856-1936) foi o primeiro a se interessar pela paisagem nublada das memórias reprimidas, como dizia. Também foi pioneiro em descrever que o inconsciente pode embaralhar lembranças reprimidas e lembranças falsas, as fantasias, como mostra o filme de John Huston, Freud Além da Alma. 

Freud concordava que no momento em que a pessoa está pronta, essas memórias podem vir à tona, até de maneira espontânea. Foi o que aconteceu com o americano Frank Fitzpatrick, um corretor de seguros de 38 anos, que recordou ter sido molestado sexualmente pelo padre James Porter, trinta anos antes. A lembrança veio numa noite mal dormida, em que o som da respiração do próprio Fitzpatrick o fez reviver o arquejante sacerdote. O episódio do passado acabou sendo comprovado por depoimentos.

Em outro caso, a americana Eillen Franklin se lembrou que seu pai estuprou e assassinou uma amiga dela, vinte anos antes. A recordação veio quando sua sobrinha gesticulou como sua colega, ao tentar se defender dos golpes. Evidências materiais provaram que a lembrança era verdadeira e, em 1990, George Franklin, pai de Eillen, se tornou a primeira pessoa nos Estados Unidos condenada por uma acusação baseada em memória recuperada. O problema todo é que, às vezes, uma provável memória recuperada não passa de uma fantasia. 

O que acontece no cérebro quando as lembranças são reprimidas? Segundo um trabalho da neurologista Michela Gallagher, da Universidade da Carolina do Norte, em situações de pavor, o organismo despeja substâncias similares ao ópio na amídala cerebral. Chamadas opiáceos endógenos, elas enfraqueceriam o processo de memorização, aparentemente para reduzir o medo e a dor. A lembrança fica, então, atenuada na amídala e, com isso, diminui também a sua transmissão para o hipocampo, ou seja, para a consciência. 

Mas o acontecimento aterrorizante, que não chega a se transformar em memória explícita, pode permanecer como memória implícita associada a alguma sensação física ou a gestos que, mais tarde, quando experimentas de novo, desencadeiam a recuperação das lembranças (veja ilustração acima). Eis porque memórias reprimidas podem se tornar nítidas de uma hora para outra. 

Às vezes, porém, a situação recordada com nitidez impressionante não passa de uma memória implantada fenômeno para o qual os cientistas começam a encontrar explicações. Em maio do ano passado, Gary Ramona obteve a primeira condenação de psicólogos, nos Estados Unidos, acusados de implantar memórias. Os terapeutas tiveram de pagar 500 000 dólares a Ramona, por terem induzido sua filha, Holly, a lembrar de supostos abusos sexuais praticados por ele, seu pai, quando ela era criança. Ramona provou que os incidentes alegados nunca ocorreram. 

Segundo o pesquisador Stephen Kosslyn, da Universidade Harvard, a mesma área cerebral que percebe uma imagem captada pelo olho e a armazena na forma de memória também se encarrega daquilo que imaginamos como o rosto de uma pessoa que ainda não conhecemos, mas que foi descrito por alguém. Trata-se da chamada região temporal mediana. Talvez, especula Kosslyn, o fato de visões reais e visões imaginárias serem guardadas no mesmo canto cerebral possa provocar confusões. Então, se perderia a noção daquilo que verdadeiramente foi visto e o que foi imaginado (veja ilustração acima). Alguns estudos recentes mostram que é possível implantar memórias com assustadora facilidade. Especialmente em crianças. Experiências com meninos em idade pré-escolar mostram que eles tendem a relatar como fatos verdadeiros histórias que lhe foram sugeridas por seus entrevistadores. A repetição de perguntas sobre eventos irreais leva as crianças a acreditarem que tudo é real.  

Elizabeth Loftus, da Universidade de Washington, implantou memórias em adultos normais, entre 18 e 63 anos de idade. Quando a mentira era sugerida por pais e amigos próximos desses voluntários, o enxerto de memórias foi mais rápido. É ainda mais fácil implantar memórias quando a pessoa está sob o efeito de hipnose ou de drogas como o sódio amital e o sódio pentotal, conhecidos por soros da verdade. Embora essas substâncias sejam desaconselhadas pela Associação Médica Americana, muitos psicólogos ainda as empregam nas sessões de análises.

O perigo é óbvio. As vidas de pessoas respeitáveis podem ser destruídas. O cardeal de Chicago, Joseph Bernadin, passou três meses sob suspeição no início do ano passado. Um homem de 34 anos disse ter sido violentado por Bernadin, 17 anos antes. Depois, o mesmo homem retirou a acusação, afirmando que tinha se enganado. Achar que os processos baseados em memória sempre envolvam esse tipo de engano é um erro. Corre-se o risco de não levar em conta as memórias reprimidas, permitindo que crimes fiquem impunes. O próprio cardeal Bernadin alertou para essa possibilidade, depois de ter se livrado do problema.

 



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Criando Memórias Falsas



Em 1986 Nadean Cool, uma ajudante de enfermagem em Wisconsin, procurou ajuda terapêutica de um psiquiatra para auxiliá-la a superar um evento traumático experimentado pela sua filha. Durante a terapia, o psiquiatra usou hipnose e outras técnicas sugestivas para trazer à tona recordações de abuso que Cool supostamente teria experimentado. No processo, Cool foi convencida de que tinha memórias reprimidas de ter estado em um culto satânico, de comer os bebês, de ser estuprada, de ter sexo com animais e de ser forçada a assistir o assassinato da sua amiga de oito anos. Ela chegou a acreditar que teve mais de 120 personalidades — crianças, adultos, anjos e até mesmo um pato — tudo isso porque lhe foi dito que ela havia passado por um severo abuso sexual e físico na infância. O psiquiatra também executou exorcismos nela, um dos quais durou cinco horas e incluiu o uso de água benta e gritos para Satanás deixar o seu corpo.
Quando Cool percebeu finalmente que aquelas falsas recordações foram implantadas, ela processou o psiquiatra por negligência profissional. Depois de cinco semanas de julgamento, o caso dela foi resolvido fora do tribunal por 2,4 milhões de dólares em março de 1997. Nadean Cool não é a única paciente a desenvolver falsas recordações como resultado de uma terapia questionável. Em 1992, no Missouri, um conselheiro de igreja ajudou Beth Rutherford a se lembrar, durante terapia, que o seu pai, um clérigo, a tinha estuprado regularmente dos sete aos catorze anos e que a sua mãe às vezes o ajudava segurando-a. Sob a direção do terapeuta, Rutherford desenvolveu recordações de seu pai engravidando-a duas vezes e forçando-a a abortar o feto ela mesma com um cabide. O pai teve que resignar do posto de clérigo quando as alegações se tornaram públicas. Mais tarde um exame médico da filha revelou, porém, que ela ainda era virgem aos 22 anos e nunca tinha estado grávida. A filha processou o terapeuta e recebeu 1 milhão de dólares de indenização em 1996.
Aproximadamente um ano antes, dois júris apresentaram veredictos desfavoráveis a um psiquiatra de Minnesota, o qual foi acusado de implantar falsas recordações pelos seus ex-pacientes Vynnette Hamanne e Elizabeth Carlson que submetidos à hipnose e ao amytal sódico(1), e depois de serem mal informados sobre os funcionamentos da memória, vieram a se lembrar de horroroso abuso por membros da família. Os jurados compensaram Hammane com 2.67 milhões e Carlson com 2.5 milhões de dólares pelos seus sofrimentos.
Em todos os quatro casos, as mulheres desenvolveram recordações sobre abuso infantil na terapia e posteriormente negaram a sua autenticidade. Como nós podemos determinar se recordações de abuso infantil são verdadeiras ou falsas? Sem corroboração, é muito difícil de diferenciar entre falsas e verdadeiras recordações. Também, nestes casos, algumas recordações eram contrárias à evidência física, como memórias explícitas e detalhadas de estupro e aborto quando o exame médico confirmava virgindade. Como é possível que pessoas adquiram falsas recordações tão elaboradas e seguras? Um número crescente de investigações demonstra que, sob circunstâncias adequadas, falsas recordações podem ser instiladas com bastante facilidade em algumas pessoas.
Minha própria pesquisa em distorção de memória remonta aos primórdios de 1970, quando iniciei os estudos do “efeito da informação incorreta”. Estes estudos mostram que, quando as pessoas que testemunham um evento são posteriormente expostas a informação nova e enganosa sobre ele, as suas recordações frequentemente se tornam distorcidas. Em um exemplo, participantes viram um acidente de automóvel simulado em um cruzamento com um sinal de Pare. Depois do ocorrido, metade dos participantes recebeu uma sugestão de que o sinal de tráfego era um sinal de passagem preferencial. Quando perguntados posteriormente que sinal de tráfego eles se lembravam de ter visto no cruzamento, os que haviam sido sugestionados tendiam a afirmar que tinham visto um sinal de passagem preferencial. Aqueles que não tinham recebido a falsa informação eram muito mais precisos na lembrança do sinal de tráfego.
Meus estudantes e eu administramos até agora mais de 200 experiências envolvendo mais de 20,000 indivíduos que documentam como a exposição à informação enganosa induz à distorção de memória. Nestes estudos, pessoas “recordaram” um celeiro digno de nota numa cena bucólica que não continha nenhum edifício; vidro quebrado e gravadores de fita que não estavam nas cenas que viram; um veículo branco em vez de azul na cena de um crime; e Minnie Mouse quando eles na verdade viram Mickey Mouse. Considerados em conjunto, estes estudos mostram que a informação enganosa pode mudar a memória de um indivíduo de um modo previsível e às vezes muito poderoso.
A informação enganosa tem o potencial de invadir nossas recordações quando falamos com outras pessoas, quando somos interrogados sugestivamente ou quando lemos ou vemos a cobertura da mídia sobre algum evento que podemos ter vivenciado nós mesmos. Depois de mais de duas décadas explorando o poder da informação enganosa, pesquisadores aprenderam muita coisa sobre as condições que fazem as pessoas suscetíveis à modificação da memória. As recordações são mais facilmente modificadas, por exemplo, quando a passagem de tempo permite o enfraquecimento da memória original.
Memórias infantis falsas
Uma coisa é mudar um detalhe ou dois numa memória intacta, mas outra totalmente diferente é implantar uma memória falsa de um evento que nunca aconteceu. Para estudar a memória falsa, eu e meus estudantes tivemos de achar um modo de implantar uma pseudomemória que não causasse em nossos participantes tensão emocional imprópria, tanto no processo de criá-la quanto na revelação de que eles tinham sido enganados intencionalmente. Nós quisemos ainda tentar implantar uma memória que seria pelo menos ligeiramente traumática se a experiência tivesse ocorrido de fato.
Eu e minha parceira de pesquisa, Jacqueline E. Pickrell, concordamos em tentar implantar uma memória específica de estar perdido em um shopping center ou em uma grande loja de departamentos ao redor dos cinco anos. Aqui está como fizemos isto. Nós perguntamos para nossos participantes, 24 indivíduos dos 18 aos 53 anos, para tentarem se lembrar de eventos de infância que tinham sido contados a nós por um pai, um irmão mais velho ou outro parente próximo. Nós preparamos uma brochura para cada participante contendo estórias de um parágrafo sobre três eventos que haviam acontecido de fato a ele ou a ela e um que não havia. Nós construímos o falso evento sobre um possível passeio ao shopping usando informação provida por um parente, o qual verificou também se o participante não havia estado, de fato, perdido aos cinco anos. O enredo de “perdido no shopping” incluiu os seguintes elementos: perdido durante um período prolongado, choro, ajuda e consolo por uma mulher idosa e, finalmente, a reunião com a família.
Depois de ler cada história da brochura, os participantes escreveram sobre o que eles se lembravam do evento. Se eles não se lembrassem dele, eram instruídos a escrever “eu não me lembro disto”. Em duas entrevistas seguidas, nós falamos aos participantes que estávamos interessados em examinar quão detalhadamente eles podiam se lembrar e comparar as recordações deles com as dos seus parentes. Os parágrafos sobre o evento não foram lidos literalmente a eles, em vez disso foram fornecidos trechos para sugerir a lembrança. Os participantes recordaram aproximadamente 49 dos 72 eventos verdadeiros (68%) logo depois da leitura inicial da brochura e também em cada uma das duas entrevistas seguidas. Depois de lerem a brochura, sete dos 24 participantes (29%) lembraram-se tanto parcialmente como totalmente do falso evento construído para eles, e nas duas entrevistas seguidas seis participantes (25%) continuaram afirmando que eles se lembravam do evento fictício. Estatisticamente, havia algumas diferenças entre as verdadeiras e as falsas recordações: participantes usaram mais palavras para descrever as verdadeiras recordações, e eles avaliaram as verdadeiras recordações como estando um pouco mais claras. Mas se um espectador fosse observar muitos de nossos participantes descreverem um evento, seria realmente difícil para ele dizer se a estória era uma recordação verdadeira ou falsa. Claro que estar perdido, por mais assustador, não é o mesmo que ser molestado. Mas o estudo de “perdido no shopping” não é sobre experiências reais de estar perdido; é sobre implantar falsas memórias de estar perdido. O modelo mostra um modo de instilar falsas recordações e dá um passo em direção ao entendimento de como isto poderia acontecer no mundo real. Além disso, o estudo fornece evidência de que as pessoas podem ser conduzidas a se lembrarem do seu passado de modos diferentes, e elas podem até mesmo ser persuadidas a se “lembrar” de eventos completos que nunca aconteceram.
Estudos em outros laboratórios usando um procedimento experimental semelhante produziram resultados análogos. Por exemplo, Ira Hyman, Troy H. Husband e F. James Billing da Western Washington University pediram para estudantes de faculdade que recordassem experiências de infância que haviam sido contadas pelos seus pais. Os pesquisadores disseram aos estudantes que o estudo era a respeito de como as pessoas se lembram das mesmas experiências de modo diferente. Além de eventos reais reportados pelos pais, foi dado a cada participante um evento falso, seja uma hospitalização à noite devido a uma febre alta e a uma possível infecção de ouvido, ou uma festa de aniversário com pizza e palhaço que supostamente aconteceram aos cinco anos. Os pais confirmaram que nenhum desses eventos ocorreu de verdade.
Hyman descobriu que os estudantes recordaram completa ou parcialmente 84% dos eventos verdadeiros na primeira entrevista e 88% na segunda entrevista. Nenhum dos participantes recordou o evento falso durante a primeira entrevista, mas 20% disseram na segunda entrevista que se lembravam de algo sobre o evento falso. Um participante que foi exposto à história da hospitalização de emergência mais tarde se lembrou de um médico, de uma enfermeira e de um amigo da igreja que veio visitá-lo no hospital. Em um outro estudo Hyman apresentou, junto com eventos verdadeiros, diferentes eventos falsos, como derramar acidentalmente uma tigela de ponche nos pais da noiva numa recepção de casamento ou ter que abandonar um supermercado quando o sistema de irrigação contra fogo ativou-se acidentalmente. Novamente, nenhum dos participantes recordou o falso evento durante a primeira entrevista, mas 18 % se lembraram de algo a respeito na segunda entrevista. Por exemplo, durante a primeira entrevista, um participante, quando perguntado a respeito do casamento fictício, declarou: “eu não tenho nenhuma ideia. Eu nunca ouvi isso antes”. Na segunda entrevista, o participante disse: “era um casamento ao ar livre, e eu acho que estávamos correndo e derrubamos alguma coisa como uma tigela de ponche ou algo parecido e fizemos uma grande bagunça e, é claro, fomos repreendidos por isto”.
Inflação da Imaginação
A descoberta de que uma sugestão externa pode conduzir à construção de falsas recordações infantis nos ajuda a entender o processo pelo qual as falsas recordações surgem. É natural querer saber se esta pesquisa é aplicável em situações reais como a de ser interrogado por um oficial da lei ou na psicoterapia. Embora uma sugestão enfática pode não acontecer habitualmente em um interrogatório policial ou na terapia, a sugestão na forma de um exercício imagético às vezes o faz. Por exemplo, quando tentando obter uma confissão, oficiais da lei podem pedir para um suspeito que imagine ter participado de um ato criminoso, e alguns profissionais de saúde mental encorajam os pacientes a imaginar eventos infantis como um modo de recuperar memórias supostamente escondidas.
Pesquisas de psicólogos clínicos revelam que 11% deles instruem seus clientes “a deixarem a imaginação correr solta” e 22% dizem para seus clientes “darem rédea livre à imaginação”. A terapeuta Wendy Maltz, autora de um livro popular sobre abuso sexual infantil, defende que se dê a seguinte recomendação ao paciente: “Gaste tempo imaginando que você foi abusado sexualmente, sem se preocupar que a exatidão prove qualquer coisa, ou ter que fazer suas ideias terem sentido. Pergunte a si mesmo estas questões: Que hora do dia é agora? Onde você está? Em um lugar fechado ou ao ar livre? Que coisas estão acontecendo? Há uma ou mais pessoas com você?” Maltz adicionalmente recomenda que os terapeutas continuem fazendo perguntas como “Quem teria sido o provável responsável? Quando você foi mais vulnerável ao abuso sexual em sua vida?”
O uso crescente de tais exercícios de imaginação conduziu a mim e a vários colegas a se perguntarem sobre as suas consequências. O que acontece quando as pessoas imaginam experiências infantis que não aconteceram? Imaginar um acontecimento na infância aumenta a convicção de que realmente aconteceu? Para explorar isto, nós projetamos um procedimento de três fases. Nós primeiro pedimos aos participantes que indicassem a probabilidade de que certos eventos aconteceram a eles durante a infância. A lista contém 40 eventos, cada um classificado numa escala variando de “definitivamente não aconteceu” a “sem dúvida aconteceu”. Duas semanas mais tarde pedimos aos participantes que imaginassem ter vivenciado alguns destes eventos. Foi pedido a diferentes indivíduos que imaginassem diferentes eventos. Algum tempo depois foi pedido aos participantes que respondessem à lista original de 40 eventos infantis novamente, indicando quão provavelmente estes eventos realmente aconteceram a eles. Considere um dos exercícios de imaginação: é dito aos participantes que imaginem brincar dentro de casa depois da escola, ouvindo então um ruído estranho do lado de fora, correndo para a janela, tropeçando, caindo, e alcançando e quebrando a janela com as suas mãos. Além disso, nós perguntamos aos participantes coisas como “No que você tropeçou? Como você se sentia?”. Em um estudo, 24% dos participantes que imaginaram a cena da janela quebrada relataram mais tarde um aumento de confiança de que o evento havia acontecido, enquanto entre aqueles aos quais não foi pedido para imaginar o incidente apenas 12% relataram um aumento na probabilidade de que havia ocorrido. Nós descobrimos este efeito da “inflação da imaginação” em cada um dos oito eventos que os participantes imaginaram a nosso pedido. Várias explicações possíveis vêm à mente. Uma óbvia é a de que o ato de imaginar simplesmente faz o evento parecer mais familiar e essa familiaridade é relacionada erroneamente às recordações de infância em vez de ser relacionada ao ato de imaginar. Tal confusão de fonte, quando uma pessoa não se lembra da fonte de informação, pode ser especialmente intensa para as distantes experiências da infância.
Os estudos de Lyn Giff e de Henry L. Roediger III da Universidade de Washington sobre recentes experiências, em vez de experiências infantis, conectam de forma mais direta as ações imaginadas à construção da falsa memória. Durante a sessão inicial, os pesquisadores instruíram os participantes a imaginar a ação proposta, ou apenas escutá-la, sem fazer mais nada. As ações eram simples: bata na mesa, erga o grampeador, quebre um palito, cruze seus dedos e rode seus olhos. Durante a segunda sessão, foi pedido aos participantes que imaginassem algumas das ações que eles não haviam executado anteriormente. Durante a sessão final, eles responderam perguntas sobre quais ações eles executaram de fato durante a sessão inicial. Os pesquisadores descobriram que quanto mais os participantes imaginavam uma ação não executada, mais provável era que eles se lembrassem de tê-la executado.
Recordações Impossíveis
É altamente improvável que um adulto possa se recordar de lembranças incidentais verdadeiras do primeiro ano de vida, em parte porque o hipocampo, que desempenha um importante papel na criação de recordações, não amadureceu o bastante para formar e armazenar recordações duradouras que possam ser recuperadas na fase adulta.
Um procedimento para implantar “recordações impossíveis” sobre experiências que ocorrem logo após o nascimento foi desenvolvido pelo falecido Nicholas Spanos e seus colegas da Universidade de Carleton. Pessoas foram levadas a acreditar que elas tinham habilidades de exploração visual e de movimento ocular bastante coordenados provavelmente porque nasceram em hospitais que penduravam móbiles coloridos oscilantes em cima dos berços das crianças. Para confirmar se eles tiveram tal experiência, metade dos participantes foi submetida à hipnose e conduzida até o dia posterior ao nascimento e então foram questionadas sobre o que se lembravam. A outra metade do grupo participou de um procedimento de “reestruturação mnemônica dirigida” que usou regressão de idade, assim como um vívido encorajamento para se recriar as experiências infantis imaginando-as. Spanos e seus colegas de trabalho descobriram que a vasta maioria dos participantes era suscetível a estes procedimentos de implante de memória. Tanto os participantes hipnóticos quanto os dirigidos relataram recordações infantis. Surpreendentemente, o grupo dirigido recordou um pouco mais (95% contra 70%). Ambos os grupos se lembravam do móbile colorido numa taxa relativamente alta (56% do grupo dirigido e 46% do hipnótico). Muitos participantes que não se lembravam do móbile, se recordavam de outras coisas, como médicos, enfermeiras, luzes brilhantes, berços e máscaras. Também, em ambos os grupos, daqueles que relataram recordações de infância, 49% sentiam que as recordações eram reais contra 16% que reivindicavam que elas eram apenas fantasias. Estas descobertas confirmam estudos prévios de que muitas pessoas podem ser levadas a construir falsas recordações complexas, vívidas e detalhadas por meio de um procedimento bastante simples. A hipnose claramente não é necessária.
Como as falsas memórias se formam
No estudo de perdido-no-shopping, a implantação da falsa memória aconteceu quando outra pessoa, normalmente um membro da família, afirmou que o incidente aconteceu. A corroboração de um evento por uma outra pessoa pode ser uma técnica poderosa para induzir a uma falsa memória. De fato, apenas afirmar ter visto uma pessoa fazendo algo errado já é o suficiente para conduzi-la a uma falsa confissão.
Este efeito foi demonstrado em um estudo de Saul M. Kassin e seus colegas da Williams College que investigaram as reações de indivíduos acusados falsamente de danificar um computador apertando a tecla errada. Os participantes inocentes inicialmente negaram a acusação, mas quando uma pessoa associada ao experimento disse que havia visto eles executarem a ação, muitos participantes assinaram uma confissão, absorveram a culpa pelo ato e continuaram a confabular detalhes que fossem consistentes com aquela convicção. Estas descobertas mostram que uma falsa evidência incriminante pode induzir as pessoas a aceitarem a culpa por um crime que não cometeram e até mesmo a desenvolver recordações para apoiar os seus sentimentos de culpa.
As pesquisas estão começando a nos dar uma compreensão de como falsas recordações de experiências emocionalmente envolventes e completas são criadas em adultos. Primeiro, há uma exigência social para que os indivíduos se lembrem; por exemplo, num estudo para trazer à tona as recordações, os pesquisadores costumam exercer um pouco de pressão nos participantes. Segundo, a construção de memórias pelo processo de imaginar os eventos pode ser explicitamente encorajada quando as pessoas estão tendo dificuldades em se lembrar. E, finalmente, os indivíduos podem ser encorajados a não pensar se as suas construções são reais ou não. A elaboração de falsas recordações é mais provável de acontecer quando estes fatores externos estão presentes, seja num ambiente experimental, terapêutico, ou durante as atividades cotidianas.
Falsas recordações são construídas combinando-se recordações verdadeiras com o conteúdo das sugestões recebidas de outros. Durante o processo, os indivíduos podem esquecer a fonte da informação. Este é um exemplo clássico de confusão sobre a origem da informação na qual o conteúdo e a proveniência da informação estão dissociados.
Está claro que não é porque nós podemos implantar falsas recordações de infância em alguns indivíduos que todas as recordações que surgirem após a sugestão serão necessariamente falsas. Dizendo de outro modo, embora o trabalho experimental na criação de falsas recordações possa levantar dúvidas sobre a validade de recordações remotas, como um trauma recorrente, de nenhuma maneira os desmente. Sem corroboração, há muito pouco que possa ser feito para ajudar até mesmo o mais experiente observador a diferenciar as verdadeiras recordações daquelas que foram sugestivamente implantadas.
Os mecanismos precisos pelos quais esses tipos de falsas memórias são construídos aguardam por novas pesquisas. Nós ainda temos muito a aprender sobre o grau de confiança e as características das falsas memórias criadas desta maneira, e nós precisamos descobrir que tipos de indivíduos são particularmente suscetíveis a estas formas de sugestão e que tipos são resistentes.
Enquanto continuamos este trabalho, é importante prestar atenção à advertência contida nos dados já obtidos: profissionais de saúde mental e outros devem estar atentos sobre quão enormemente podem influenciar a lembrança de eventos e da urgente necessidade de se manter a moderação em situações nas quais a imaginação é usada como um auxílio para recuperar memórias presumivelmente perdidas.
Notas
1 — Barbitúrico usado como sedativo e hipnótico. Vulgarmente conhecido como “soro da verdade”. (N. do T.)
2 — Processo sobre abuso sexual na Califórnia que durou seis anos e custou 15 milhões de dólares ao Estado. Em agosto de 1983, Judy Johnson denunciou que seu filho havia sido molestado na pré-escola McMartin. Devido à falta de evidência não houve processo. Entretanto, o delegado da polícia de Manhattan Beach fez circular uma carta aos pais dos estudantes da pré-escola McMartin mencionando um possível abuso sexual. Criou-se um pânico generalizado e a mídia se encarregou de espalhar o boato. Centenas de crianças foram entrevistadas e 360 foram diagnosticadas como tendo sofrido abuso. O exame médico foi realizado em 150 crianças e apesar da falta de evidência física, o médico concluiu que 120 delas haviam sido molestadas. Outras escolas da área e até uma igreja foram envolvidas numa suposta quadrilha de abuso infantil. Professores foram acusados de abuso sexual e de praticar rituais satânicos. Entre as inúmeras acusações estavam a de terem forçado as crianças a participarem de filmes e fotos pornográficos, de terem matado e mutilado animais para intimidar as crianças, de as terem forçado a participar de rituais satânicos e a beber o sangue de bebês que haviam sido mortos, de as terem forçado a entrar em caixões e de enterrá-las, e outras ainda mais bizarras. A polícia investigou 10 escolas e uma igreja e não encontrou nenhuma evidência concreta. Judy Johnson foi posteriormente diagnosticada como esquizofrênica e acabou morrendo em casa de problemas no fígado relacionados ao excesso de álcool antes do início do julgamento. A informação sobre o seu estado mental foi escondida da defesa. Após um longo e extenuante processo, em 1990 os acusados foram considerados inocentes, e a promotoria desistiu de novas acusações. Qualquer semelhança entre este caso e o ocorrido em São Paulo, na Escola Base, não é mera coincidência. Guardadas as devidas proporções, os dois casos foram uma combinação sinérgica entre uma imprensa irresponsável, uma polícia ineficiente, e médicos e terapeutas incompetentes. (N. do T.)
Leitura Complementar
THE MYTH OF REPRESSED MEMORY. Elizabeth F Loftus and Katherine Ketcham. St. Martin’s Press, 1994.
THE SOCIAL PSYCHOLOGY OF FALSE CONFESSIONS: COMPLIANCE, INTER NALIZATION, AND CONFABULATION. Saul M. Kassin and Katherine L. Kiechel in Psychological Science, Vol. 7, NO. 3, pages 12S-128; May 1996.
IMAGINATION INFLATION: IMAGINING A CHILDHOOD EVENT INFLATES CONFIDENCE THAT IT OCCURRED. Maryanne Carry, Charles G. Manning, Elizabeth F. Loftus and Steven J. Sherman in Psychonomic Bulletin and Review, Vol. 3, NO. 2, pages 208-214; June 1996.
REMEMBERING OUR PAST: STUDIES IN AUTOBIOGRAPHICAL MEMORY. Edited by David C. Rubin. Cambridge University Press, 1996.
SEARCHING FOR MEMORY: THE BRAIN, THE MIND, AND THE PAST. Daniel L. Schacter. BasicBooks, 1996.

A autora: Elizabeth F. Loftusé professora de psicologia e professora auxiliar de Direito na Universidade de Washington. Ela recebeu o Ph.D em psicologia da Universidade de Stanford em 1970. Sua pesquisa concentra-se em memória humana, depoimento de testemunha ocular e procedimentos de Tribunal. Loftus publicou 18 livros e mais de 250 artigos científicos e serviu como especialista ou assessora em testemunhas em centenas de julgamentos, inclusive no caso de molestamento na pré-escola McMartin(2). Seu livro Eyewitness Testimony ganhou o National Media Award da Fundação Psicológica Americana. Ela recebeu doutorados honorários da Universidade de Miami, Universidade de Leiden e da Faculdade John Jay de Justiça Criminal. Loftus foi eleita presidenta da Sociedade Psicológica Americana recentemente.
  • autor: Elizabeth F. Loftus
  • University of Washington

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