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As perguntas mais frequentes sobre o acordo de 1993


As perguntas mais frequentes sobre a resolução 1993

 


Escrito por Vindicatemj em 21 de novembro de 2009
Traduzido e revisado e acrescido por Daniela Ferreira



OK, então a ação civil no caso Chandler, em 1993, terminou em um acordo financeiro assinado em 25 de janeiro de 1994. Deixe-me fazer um breve resumo do caso para aqueles que não gostam de mensagens longas:

Não foi Michael Jackson, mas a seguradora dele quem pagou aos Chandlers.


Leia este post e entenda como a Seguradora pôde fazer isso.

A alegação, (sobre a qual versa o acordo) foi de "negligência" ( não apenas contra Jordan, mas o próprio Evan), não de  “abuso sexual”. Michael sempre sustentou a completa inocência dele e o acordo deixa claro que ele não se trata de admissão de qualquer culpa.

Uma vez que os Chandlers retiraram todas as acusações, exceto “negligência”, Michael desistiu da acusação de extorsão contra Evan Chandler. Ou pode ser que os Chandlers tenham abando as reivindicações deles, depois que Michael tinha retirado a dele.

A liquidação não tinha absolutamente nenhuma limitação para Jordan Chandler depor em tribunal caso a família quisesse justiça para o filho deles e insistisse em levar o caso a um julgamento criminal. Eles poderiam continuar com isso e ainda ficar com o dinheiro.

Essa oportunidade ficou aberta para os Chandlers até o final de 1999, (quando ocorreria a prescrição punitiva), mas Tom Sneddon (promotor de Santa Barbara que atuou nos dois casos contra Jackson) conseguiu que as leis da Califórnia fossem modificadas (com o evidente propósito de perseguir Michael Jackson) e assim, segundo a nova legislação, Jordan poderia testemunhar contra Michael no caso posterior, em 2005. Quando acusações criminais foram movidas contra Michael em 2005, o Ministério Público se aproximou Jordan Chandler, mas de acordo com as palavras do tio dele, Jordan deixou o país para se esquivar de uma possível intimação.
 
Mais tarde, Michael lamentou que o caso Chandler tenha sido resolvido fora do tribunal.

E o ponto mais importante, o acordo colocou fim APENAS ao caso CIVIL. As investigações criminais prosseguiram e MJ não foi indiciado por decisão de dois grandes juris.

A resolução foi uma admissão de culpa por Michael Jackson?

Não. Na verdade, o acordo de pagamento oficial afirma claramente que Michael Jackson "especificamente se exime de qualquer responsabilidade, e nega quaisquer atos ilícitos cometidos contra os Chandlers". Em outro momento, está escrito que o acordo civil é explicitamente "por supostos danos compensatórios por alegados danos pessoais resultantes de reivindicações de negligência e não por pedidos de atos intencionais ou nocivos de abuso sexual."

Como parte do processo civil, os Chandlers anunciaram também, dentro do acordo de pagamento, que de um a seis das ações (que consiste em, assédio sexual, sedução, dolo, imposição intencional de sofrimento emocional, e fraude) seriam desprezadas sem prejuízo , e que restaria apenas a última causa da ação civil (negligência),a qual os Chandlers também concordaram em abandonar, uma vez que o dinheiro foi recebido.

Citações: “Jackson rejeita especificamente qualquer responsabilidade, e nega quaisquer atos ilícitos cometidos contra o menor [Jordan Chandler], [Evan Chandler] ou [June Chandler] ou quaisquer outras pessoas. As Partes reconhecem que Jackson é uma figura pública e que o nome dele, imagem e semelhanças, tem valor comercial e são um elemento importante da capacidade dele em gerar renda. As Partes reconhecem que Jackson afirma que optou por liquidar as reivindicações na Ação, tendo em conta o impacto que a ação teve, e pode ter, no futuro, na remuneração e renda potencial dele.”

As partes reconhecem que a liquidação do pagamento está liquidando as reclamações de [Jordan Chandler], [Evan Chandler] e [June Chandler] por supostos danos compensatórios por alegados danos pessoais decorrentes de reclamações de negligência e não por pedidos de atos intencionais ou ilegais de abuso sexual ".


O acordo impedia Jordan Chandler de depor em tribunal?

Absolutamente não.

Uma das crenças mais equivocadas sobre o acordo é que ele, de alguma forma, impediu Jordan Chandler de depor contra Jackson no tribunal criminal.

Nada poderia estar mais longe da verdade.

A liquidação de 1993 incidiu exclusivamente na ação civil movida contra Michael Jackson pelos Chandlers, não na investigação criminal, então em curso.

Um caso civil, nessa perspectiva, é aquele que é apresentado com o único objetivo de obter ganho financeiro através de um julgamento contra o réu. Assim, quando os Chandlers e o renomado advogado civil deles, Larry Feldman, entraram com uma ação civil contra Jackson, fizeram-no com a única intenção de adquirir certo grau de riqueza, não a justiça.

NADA dentro dos documentos de liquidação de qualquer forma proibiam os Chandlers de prosseguirem com acusações criminais e buscar um julgamento no tribunal penal, independentemente de qualquer liquidação financeira no caso civil. Os Chandlers tinham todo o direito de levar o caso para Tribunal Penal, mesmo após a liquidação financeira.

De fato, foi dado a Jordan Chandler mais anos para testemunhar contra Michael Jackson em um tribunal criminal que a qualquer outra suposta vítima de abuso sexual, e ainda foi concedido uma segunda oportunidade rara de se apresentar durante o julgamento criminal de 2005 criminal, mas ele recusou. (Relatos do tio dele, Ray Chandler, indicam que ele havia deixado o país tanto em 1998, na idade de 18, e novamente em 2005, para evitar ter de testemunhar).

Por lei, Jordan Chandler era autorizado a depor a qualquer momento contra Michael Jackson em um tribunal até agosto de 2000. No entanto, Tom Sneddon anunciou, em 2001, que ele realmente ampliou o prazo de prescrição do caso de 1993 de modo que “poderia ser reaberto a qualquer momento”.

Segundo Sneddon, o prazo prescricional foi congelado no tempo "porque Jackson esteve vivendo fora do país por grande parte desse tempo". Em 6 de fevereiro de 2003, Tom Sneddon ecoou uma declaração semelhante em um comunicado à imprensa: "O caso de 1993 poderia ser reativada após a descoberta de provas novas credíveis ou vítimas dispostas a cooperar. Nada mudou. A investigação continua "aberta, mas inativo."

Entre 1993 e 1994, as acusações criminais foram investigadas por mais de 12 meses por Gil Garcetti de Los Angeles e Tom Sneddon de Santa Barbara.

Dois grandes júris de ambas as jurisdições foram convocados e passearam meses ouvindo evidências da acusação e testemunhas de terceiros. No final, cada júri concordou que não havia provas suficientes para indiciar.
Ambos os promotores insistiram em que a razão pela qual não poderiam indiciar Michael Jackson por acusações criminais era "indisponibilidade da alegada vítima". O que é uma grande mentira.

Jordan Chandler poderia testemunhado em qualquer ponto, mas nunca o fez.


Será que a empresa de seguro negociou a resolução?


Desde o vazamento inicial dos documentos de liquidação, em 2004, espalhou-se a especulação de que, na verdade, tinha sido uma seguradora quem negociou e pagou pelo acordo, e não Michael Jackson.

 
Em um documento legal, de 2005, arquivado na corte pela defesa de Michael Jackson, essa teoria cresceu.

Em um bate-papo na internet realizado por Diane Dimond, em 16 de junho de 2004, entre as questões discutidas houve o seguinte:
Pergunta de Incognito: “Você disse que uma companhia de seguros pagou o dinheiro? Que tipo de seguro que seria isso?”

Diane Dimond: “Note-se que Jackson concordou em pagar sob a alegação de negligência. Confira apolítica do seu imóvel. Se você negligentemente fora deixar uma casca de banana e alguém tropeçar e cair, sua companhia de seguros vai pagar por sua negligência. Eles não irão, no entanto, pagar se você cometeu um crime. Isso é, provavelmente, porque ele concordou apenas com a alegação de negligência.”

Isso está correto.

A seguradora de Michael Jackson tinha o dever de ressarci-lo dos gastos com um processo onde era reivindicada indenização por negligência e pagar pela indenização. Da mesma forma que a companhia de seguros tem o dever de pagar a indenização se você bater no carro de alguém culposamente. Porém, não teria o dever de pagar por uma indenização se o segurado estivesse sendo demandado pela prática de um crime.

Ainda, de acordo a legislação americana, a companhia de seguro tem o direito de intervir no processo e propor um acordo para evitar maiores prejuízos para empresa. Dessa forma, a seguradora de Jackson pôde intervir mesmo sob todos os protestos dele.

Em uma entrevista a Larry King Live, o advogado Brian Oxman explicou que uma ação civil por negligência é uma causa ganha, justamente porque a companhia de seguros tem o direito de resolver o caso com um acordo, mesmo contra a vontade do réu.

Larry Feldman, advogado dos Chandler, sabia muito bem disso e por essa razão, não apenas indicou Michael Jackson para o polo passivo da demanda, mas também as empresas dele, bem como a seguradora.

Pouco mais foi dito sobre a teoria da liquidação pela seguradora até julgamento de 2005.

Em 22 de março de 2005, uma moção foi apresentada no tribunal em nome de Michael Jackson e no dito documento, inúmeras declarações foram feitas de que uma seguradora tinha negociado e resolvido o caso civil de 1993. A seção relevante do documento é transcrita abaixo:

“A Resolução Civil de 1993 foi feito pela Seguradora de Michael Jackson e não estava dentro do controle do senhor Jackson. O acordo final foi pelas crreclamações globais de negligência e o processo foi resolvido pela Seguradora de Jackson. A operadora de seguros negociou e pagou o acordo, apesar dos protestos do senhor Jackson e o seu advogado pessoal dele.”

“É injusto que um acordo realizado por uma companhia de seguros seja agora usado contra o Sr. Jackson ou que o Acordo seja admitido como prova de conduta anterior ou culpa de Michael Jackson. O Sr. Jackson não podia controlar nem interferir com a exigência da Seguradora em resolver o litígio.”

Por que um homem inocente resolveria o caso com um acordo?

Desde a resolução de 1993, Michael Jackson tem falado muito pouco sobre as condições estabelecidas no acordo, devido, em parte, à confidencialidade da referida convenção. No entanto, ele e os advogados dele têm falado inúmeras vezes, em termos gerais, sobre os motivos por trás do acordo civil.

Embora muitas pessoas perguntem por que um inocente iria resolver um caso civil assim, poucos perguntam por que uma suposta vítima e a família dela iriam pressionar por um acordo civil, com um advogado de alto nível e, em seguida, se recusar a depor criminalmente contra o dito agressor em um tribunal de justiça. Como Katherine Jackson perguntou: “Se você pensar sobre você mesmo, e Michael tivesse molestado seu filho, você pediria por dinheiro? Você faria isso?”.

As razões gerais que Michael, e pelo menos um dos advogados dele, deu a respeito de por que o processo civil foi liquidado em 1993, era que ele só queria deixar o pesadelo para trás. Na época, os advogados dele aconselharam que o processo poderia se arrastar por sete anos e que não havia nenhum resultado garantido no tribunal.

Além disso, Michael Jackson estava em turnê e ganhando enormes quantias de dinheiro na época, suficiente para liquidar qualquer litígio envolvendo um pedido de indenização. Na verdade, em comparação com a capacidade de Michael gerar rendar, o pedido de indenização (30 milhões foi a valor pedido por Larry Feldman na petição) era muito pouco.

Acrescente-se a isso, a pressão psicológica e emocional que Michael estava sofrendo, em razão do amssacre promovido pela imprensa, os processos maliciosos demandados por ex-empregados oportunistas e chantagens das quais ele foi vítima durante esse período e você terá sua resposta de por que ele, sendo inocente, acabou cedendo.

Na realidade, para evitar que a Seguradora reslovesse o caso com um acordo, Michael teria que rescindir o contrato com ela antes e isso geraria um prejuízo ainda maior, devida a multa contratual. Enfim, ele não teve escolha.

Na entrevista para o Primetime Live, com Diane Sawyer (que foi ao ar nos Estados Unidos em 14 de junho de1995), Diane Sawyer perguntou a Michael Jackson sobre a resolução civil em 1993 civil. A conversa foi como segue:

SAWYER: Por que você resolveu o caso, então? Por que você resolveu o caso? E, parece para todos que você pagou uma quantia enorme de dinheiro para conseguir silêncio.

JACKSON: Bem, a maior parte disso é folclore. Conversei com meus advogados e eu disse: "Vocês podem me garantir que a justiça vai prevalecer?" E eles disseram: "Michael, nós não podemos lhe garantir que um juiz ou um júri vai fazer nada.” E com isso, eu fiquei como catatônico. Fiquei indignado. Totalmente indignado!
 
Então o que eu disse: "Eu tenho que fazer alguma coisa para sair deste pesadelo." Todas essas mentiras, e todas essas pessoas que aparecem serem pagas. E estes programas sensacionalistas. Apenas mentiras. Mentiras, mentiras, mentiras!

Então, o que eu fiz, reunimo-nos, novamente, com meus conselheiros, e eles me aconselharam; foi mãos-para baixo, uma decisão unânime, "Resolver o [civil] caso. Isso poderia ser algo que poderia continuar por sete anos!" Ele disse: "Vamos deixar isso para trás." Entenda...

SAWYER: Você pode dizer quanto?

JACKSON: Não é o que os tabloides têm noticiado. Não é toda essa loucura, bizarro, não, absolutamente. Os termos do acordo são muito confidenciais... A ideia, simplesmente não é justo o que me fez passar. Porque não havia um pedaço de informação que dizia que eu fiz isso de forma alguma. Eles viraram o meu quarto de cabeça para baixo, passaram por todos os meus livros, todas as minhas fitas de vídeo, todas as minhas coisas particulares, e eles não encontraram nada. Nada, nada que pudesse dizer: "Michael Jackson fez isso." Nada! Até hoje, nada. Ainda assim, nada. Nada, nada, nada.

Fonte: http://vindicatemj.wordpress.com/2009/11/21/the-questions-asked-about-the1993-settlement/

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O Acordo Comprou o Silêncio?


O Acordo Civil



Traduzido e aditado por Daniela Ferreira

Por várias razões legais, pessoal, profissional, financeiro e prática, Michael Jackson resolveu a ação civil movida contra ele pela família do acusador em 1993. O documento de liquidação, que recentemente vazou, revela vários fatos interessantes:

1) Michael Jackson negou quaisquer irregularidade.
2) O menino e os pais dele poderiam ter ainda testemunhado contra Jackson no julgamento criminal.
3) Jackson fez um acordo apenas sobre as alegações de negligência e não sobre reivindicações de molestamento da criança.

A repórter de tabloide Diane Dimond, quem vazou os detalhes do acordo, tentou fazer parecer como se Jackson tivesse admitido ter molestado o garoto simplesmente porque ele fez o acordo quanto à alegação de negligência. Dimond salientou que o processo original dizia: "O Réu Michael Jackson, por negligência, teve contatos com o reclamante, que foram tanto explicitamente sexual quanto não." Está claro, porém, de acordo com a redação do documento de liquidação, que a alegação de "negligência" foi redefinida:

"Tais alegações incluem alegações de lesões corporais resultantes de negligência; enquanto que, Evan Chandler fez reclamações contra Jackson por lesões corporais resultantes de imposição negligente de perturbação emocional; enquanto Jordan Chandler fez reclamações contra Jackson por lesões corporais resultantes de imposição negligente de angústia emocional.”

A negligência foi definida no assentamento como a "imposição de sofrimento emocional", não há menção de abuso sexual. Referindo-se a definição de “negligência” do processo não é conclusiva, pois cada documento legal intencionalmente define os termos para garantir que não há nenhum mal-entendido. Além disso, se a alegação de negligência estava diretamente relacionada com as acusações de abuso sexual infantil, por que Evan Chandler também alegou ser vítima de negligência?

Nota da tradutora: Interessante esse ponto aqui. Evan Chandler alegou ser ELE vítima de negligência por parte de Michael Jackson. Isso é intrigante. Obviamente Evan não teria sido vítima de abuso sexual, portanto, o que de fato Chandler reclama contra MJ? Abandono? Descaso? Indiferença? Evan Chandler parecia acreditar que MJ tinha a obrigação de dar a ele e ao filho dele toda a atenção que eles queriam. A propósito, a principal reclamação de Evan, na conversa telefônica que teve com o padrasto de Jordan, foi sobre o afastamento de Michael.

OUTRAS INTERESSANTES  PARTES DO DOCUMENTO:

“Este acordo confidencial não deve ser interpretado como uma admissão por Jackson de que ele agiu erradamente em relação ao Menor, Evan Chandler ou June Chandler, ou qualquer outra pessoa, ou que o Menor, Evan Chandler ou June Chandler tenha quaisquer direitos de qualquer natureza contra Jackson. Jackson rejeita especificamente qualquer responsabilidade, e nega quaisquer atos ilícitos cometidos contra o Menor, Evan Chandler ou June Chandler ou quaisquer outras pessoas.”

 “As Partes reconhecem que Jackson é uma figura pública e que o nome dele, imagem e semelhanças dele têm valor comercial e são um elemento importante da capacidade de ganho dele. As Partes reconhecem que Jackson afirma que optou por liquidar as reivindicações na Ação, tendo em conta o impacto que a ação teve, e pode ter no futuro, no ganho e renda potencia delel.”

Jackson repetidamente afirma a inocência dele, enquanto a família que acusa não mantém que as alegações do menino sejam verdadeiras.

"As partes reconhecem que a Liquidação de Pagamento estabelecido no paragrafo número 3 trata-se de liquidação de débitos de Jordan Chandler, Evan Chandler e June Chandler por alegados danos compensatórios por alegados danos pessoais decorrentes de reclamações de negligência e não por alegações de intencionais ou culposos atos de abuso sexual.”

Sinto muito, Diane.

O PAGAMENTO:

O documento afirma que 15.331.250 dólares foram colocados em um fundo fiduciário para Jordan Chandler. Ambos os seus pais, bem como o advogado deles, Larry Feldman, tem um parte do assentamento. (Barry Rothman e Dave Schwartz, dois atores principais, no caso, que ficaram de fora do assentamento, mais tarde, apresentaram as próprias ações individuais contra Jackson). Oito páginas que detalham o pagamento foram, alegadamente, perdidas a partir da cópia do acordo de Dimond, mas de acordo com o advogado atual de Jackson, a alegação de negligência incluída no processo deu à seguradora de Jackson o direito de intervir e resolver o caso por ele.

Isso significa que Jackson pode não ter pagado qualquer coisa aos Chandlers. Isso também significa que a companhia de seguros, provávelmente, conduziu a própria investigação sobre as alegações e concluiu que Jackson não molestou o menino, as companhias de seguros, em geral, investigam porque se houve ato doloso do réu elas podem se livrar da responsabilidade de ressarci-los dos gastos. Elea, no entanto, iriam resolver o caso por comportamento negligente.
 
Nota da traduotra: A seguradora não tem o dever de pagar pela indenização se o réu tiver cometido um crime doloso. Por isso, se Michael fosse responsável pela prática de um crime 9 o abuso sexual) a seguradora não estaria obrigada a arcar com o prejuizo.

REJEIÇÃO DO RECURSO:

 O documento também mostra que os Chandlers deixaram cair as acusações de abuso sexual infantil a partir da denúncia:

"Imediatamente após a assinatura deste acordo confidencial pelas Partes, o Menor, através do Guardião ad Litem dele, deve rejeitar, sem prejuízo da primeira a sexta causa da ação alegadas na inicial ajuizada no processo, deixando apenas a sétima causa da ação pendente."

"Após o pagamento total e completo de todos os Pagamentos da Liquidação... o Menor, através de seu Guardião ad Litem, deve desistir de toda a ação sem prejduízo."

Da primeira à sexta causas da ação foram as alegações de abuso sexual; a sétima causa da ação foi negligência. Mais uma vez, Jackson fez o acordo sobre as alegações de negligência da família, e não sobre as alegações de abuso sexual infantil.

O DINHEIRO COMPROU O SILÊNCIO?

Finalmente, o documento deixa claro que os Chandlers poderiam ter ainda testemunhado contra Jackson em um julgamento criminal:

"O menor, por e através do Guardião ad Litem, e Evan Chandler e June Chandler, e cada um deles individualmente e em nome de seus respectivos agentes, advogados, representantes da mídia, parceiros, herdeiros, administradores, executores, sucessores e cessionários, concordam em não cooperar, representar, ou fornecer quaisquer informações, a qualquer pessoa ou entidade que iniciar qualquer reclamação civil ou ação que se relaciona de alguma maneira com o tema da ação contra Jackson ou qualquer um dos Relacionados a Jackson, exceto o que pose ser exigido por lei."

A única condição no acordo é que as partes não podiam testemunhar sobre as acusações em tribunal civil.

"No caso do Menor, os Representantes Legais do Menor; o Guardião ad Litem do Menor; o advogado do menor; Evan Chandler ou June Chandler, ou de qualquer um deles individualmente... receber uma intimação ou pedido de informações a qualquer pessoa ou entidade que tem afirmado ou está investigando, qualquer reclamação contra Jackson... eles acordam em notificar, por escrito, advogados de Jackson sobre a natureza e o alcance de qualquer pedido de intimação para tais informações, na medida do permitido por lei. Este aviso deve ser dado antes de responder ao pedido.”

O parágrafo acima deixa claro que os Chandlers não foram proibidos de depor contra Jackson em um julgamento criminal, desde que notificassem os advogados de Jackson de antemão. Ao contrário da crença popular, o acordo não silenciou ninguém. Foi decisão da própria família não testemunhar no processo criminal, pois eles poderiam ter conseguido dinheiro e justiça, mas eles optaram por apenas pegar o dinheiro.


Pergunte-se: se a criança foi molestada, você não iria fazer tudo em seu poder para colocar a pessoa responsável por trás das grades? Os Chandlers não. Em vez disso, eles retiraram as alegações de abuso infantil contra Jackson, assinaram um documento onde eles basicamente chamaram a si mesmos de mentirosos, pegaram o dinheiro e se recusaram a falar com as autoridades. Eu já apontei as inúmeras razões pelas quais Jackson liquidou o caso; quais as razões para os Chandlers não depor?

Alguém poderia argumentar que eles não queriam ser submetidos a um julgamento público, no entanto, essa afirmação não faz sentido, quando você consideraro fato de que os Chandlers estavam mais que dispostos a testemunhar no julgamento civil. Na verdade, os documentos judiciais revelam que a única razão pela qual o juiz se recusou a suspender o processo civil foi porque Feldman estava alegadamente preocupado que Jordan Chandler iria esquecer a história se esperassem pelo processo criminal. Além disso, Evan Chandler, mais tarde, processou Jackson e pediu ao tribunal para lhe permitir produzir um álbum de canções sobre as alegações. As ações dos Chandlers não são indicativas de uma família relutante em contar a história dela.

Nota da tradutora: Além disso, Ray Chandler, irmão de Evan, escreveu um livro com o intuito de retratar Michael como culpado. Ele saiu em busca de uma editora logo após o acordo ser assinado (descaradamente diz se julgar não atingido pelo acordo) e disse, ainda, que o livro foi escrito com total apoio de Evan. Aliás, como não encontrou nenhuma editora que aceitasse em publicar o livro, “All That Gitters”, Ray Chandler abriu a própria editora (provavelmente financiada por Evan, com o dinheiro que arrancou de Jackson). Nese livro, Ray não teve pudor em tratar o caso com sarcasmo, ironia, portanto, não convence o argumento de que os Chandlers não queriam se expor, ainda mais, levando-se em conta que a ameaça de Evan, desde o início, era falar com a imprensa, não com a polícia.

Nos últimos dez anos, a mídia tem se referido ao acordo como um "comprar", mas aqui está a minha pergunta: o que exatamente Michael Jackson "comprou" quando liquidou o processo civil?
Como pode alguém chamar isso de "suborno" quando não impedia que o acusador testemunhasse contra ele?
Como pode alguém chamar isso de "comprar o silêncio" quando o mundo inteiro já sabia sobre as alegações?
Como pode alguém chamar isso de "suborno", quando ainda havia uma investigação criminal em curso que não foi afetada pelo processo civil?

Finalmente, Evan Chandler pediu US $ 20 milhões antes de as alegações serem relatados às autoridades. Supondo que Michael Jackson houvesse molestado Jordan Chandler, de verdade, por que ele não aproveitaria essa oportunidade para evitar ser pego? Ele poderia ter pagado a Evan Chandler e evitado o calvário inteiro. Em vez disso, ele rejeitou a demanda inicial de Chandler por dinheiro. Se ele fosse culpado, por que ele faria isso?

Se ainda é sua afirmação de que o plano de Jackson foi liquidar a ação civil, a fim de subornar o menino para não depor contra ele no julgamento criminal, por favor, você pode me explicar por que Michael Jackson pediu para o processo civil deve ser adiado? Ele queria que o julgamento civil preosseguisse após o julgamento criminal ser resolvido, o que significa que qualquer acordo potencial teria sido negociado depois que Jackson fosse absolvido ou condenado. Isso teria tornado impossível para ele "subornar" o menino para não testemunhar. As ações de Jackson contradizem a noção de que ele queria comprar o silêncio de Jordan Chandler.

Nota da tradutora: Um esclarecimento sobre normas e princípios processuais se faz necessário qui. Uma decisão no processo criminal faz o que em Direito se denomina como “coisa julgada” e isso atinge o processo civil ajuizado com fundamento nos mesmo fatos. Se Michael fosse condenado na esfera criminal, restaria aos Chandler apenas a necessidade de pedir a indenização no proceso civil, uma vez que a culpa já teria sido reconhecida no processo criminal. Assim, se Michael tivesse sido absolvido no processo criminal, poderíamos ter duas situações:

1. Se absolvido por falta de provas, ainda haveria a possibilidade de ser condenado a indenizar em um processo civil. (o que aconteceu com OJ Simpson, que foi absolvido por falta de provas, mas foi condenado aindenizar na esfera cívil).

2. Se absolvido porque o juri chegou à conclusão de que crime alguma havia sido cometido, a sentença faria coisa julgada no cívil, no sentido de impossibilitar a propositura de uma ação com pedido indenizatório.

Por essa razão, por a sentença penal fazer “coisa julgada” no civil, o processo criminal deve ser resolvido antes do civil, por uma questão de economia processual, e para impedir decisões contraditórias. Tais regras são aplicadas no direito brasileiro e também no americano, que o que importa para nós aqui.
Por outro lado, o processo civil prejudica o processo criminal, pois nele há maior liberdade de movimentos pelas partes. O réu já teria a estratégia de defesa revelada, por assim, dizer. Seria como participar de um jogo de pôquer com as cartas já reveladas. Por isso, o processo civil deve ser suspenso até decisão do processo criminal.
 
Além disso, as leis de processo civil americananas dizem que o réu, em processo civil, deve colaborar com o autor na produção de provas referentes ao direito que o autor argui, isso inclui fornecer documentos e indicar nomes de pessoas que saibam de algo que ajudariam o autor. Ou seja, o réu deve ajudar o autor a constituir provas contra ele, réu.!
Dessa forma, o processo civil ocorrendo antes do criminal pode prejudicar demasiadamente a defesa do réu no processo criminal. E se voce se pergunta: "Mas se ele era inocente, não deveria estar confiante e não temer nada? " Não seja ingênuo. Provas podem ser manipuladas. lembre-se do que Sneddon fez em 2003-2005 usando provas que beneficiavam a defesa contra MJ, por total manipulação dos fatos. O mais inocente dos homens pode ser condenado injustamente se ele não for defendido de forma eficaz e inteligente.

A Constituição americana, na Sexta Emenda, garante ao réu o direito a um processo criminal justo. Isso implica que, o processo civil não deve ocorrer antes do criminal para que a defesa do réu não seja prejudicada e foi por essa razão que o advogado de Michael na época, Bert Fields, pediu que o processo civil fosse suspenso por até seis anos (prazo prescricional para o Estado processar Michael Jackson criminalmente). Fields pediu que o processo civil ficasse suspenso ate que o caso criminal fosse decidido, se é que haveria um caso criminal, e ele estava absolutamente correto ao tomar tal medida. Porém, o pedido de suspensão foi negado pelo juiz, que acatou o argumento apresentando por Larry Feldman, advogado dos Chandlers, de que “Jordan Chandler esqueceria a história esperando pelo processo criminal, que poderia nem mesmo acontecer”. Argumento fraco, aliás, uma vez que o testemunho de Jordan poderia ser colhido antecipadamente.

Diante disso, você ainda acredita que Michael Jackson precisava pagar pelo silêncio dos Chandlers? Que era Michael Jackson quem temia o processo criminal? Ou você vai aceitar a verdade de que eram os Chandlers que precisavam resolver o caso rapidamente, antes que Michael fosse declarado inocente no processo criminal e acabasse com as chances de eles conseguirem qualquer dinheiro?

Leia nosso relato do Caso Chandler que trata das manobras de Feldman para evitar o julgamento criminal aqui.
 

A explicação mais lógica a respeito de por que Michael Jackson fez um acordo é que ele era inocente e, embora ele inicialmente se recusasse a ser chantageado por Evan Chandler, ele não teve escolha no final. Uma vez que o alegado abuso foi levado ao conhecimento das autoridades, ficou claro para Jackson como as coisas iriam ficar feias. Os meios de comunicação entraram em exagero, o sistema de justiça não estava trabalhando em a favor dele e a ação civil interposta pelos Chandlers havia encurralado Jackson em um canto.
Ele poderia ter passado pelo processo civil e arriscado uma defesa enfraquecida no julgamento mais importante, o criminal, ou liquidado o processo civil e arriscar que as pessoas pensassem que ele tinha algo a esconder. Obviamente, Michael Jackson valorizava a vida dele mais que ele valorizava as opiniões de outras pessoas, portanto, ele optou por liquidar a ação judicial. Uma vez que a ação civil foi liquidada, Michael Jackson ainda tinha a investigação criminal a enfrentar.


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O Veredito de Michael Jackson

O Veredito de Michael Jackson


Por David Walsh
15 de Junho de 2005
Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Untold Side of the Story

A absolvição de Michael Jackson em abuso sexual de crianças e acusações relacionadas é totalmente bem-vinda. Se é um sinal da mudança dos sentimentos populares ou mais um episódio isolado, a decisão do júri de Santa Maria, Califórnia, em declarar o cantor não culpado de 10 acusações criminais e 3 contravenções é adequada, tanto do ponto de vista legal, quanto humano. Na América contemporânea, infelizmente, as conclusões racionais e civilizadas em episódios tão sórdidos são muito pouco frequentes.
Em termos objetivos, a decisão do júri de absolver Jackson representa uma dura repreensão à acusação vingativa, liderada pelo promotor distrital de Santa Barbara, Thomas Sneddon, e apoiada por todos os cães de ataque da ultra-direita. O veredicto de rejeitar as acusações, mesmo menores, se as oito mulheres e quatro homens no júri estavam plenamente conscientes do fato ou não, se destaca como uma acusação ao carácter fraudulento e malicioso do caso da promotoria. A decisão do júri veio na face, assim como uma série de decisões do juiz Rodney Melville que favoreceram o promotor.
A absolvição de Jackson, além disso, se destaca como uma acusação ao papel falho desempenhado pelos meios de comunicação americanos, que legitimaram e procuraram reforçar o caso contra o cantor. O veredito surpreendeu muitos dos especialistas da mídia, que fizeram tudo ao alcance deles para estigmatizar e demonizar Jackson nos últimos 18 meses.
No rescaldo da leitura do veredicto, antes que as âncoras de televisão e diversas cabeças falantes tivessem a chance de obter suas histórias em linha reta, uma série de repórteres de televisão reconheceu o que nenhum deles tinha admitido publicamente antes – que nunca houve um caso grave contra Jackson. No entanto, os meios de abordagem mudaram rapidamente e foram feitas tentativas de denegrir o significado da sentença, enfatizando as reservas de vários membros do júri quanto ao comportamento passado de Jackson.
Aqui, novamente os executivos de mídia e especialistas revelam a ignorância e hostilidade instintiva deles a elementares princípios democráticos. Se os membros do júri tinham reservas sobre o comportamento de Jackson ou suspeitas de má conduta passadas, eles fizeram o que deviam fazer: eles ouviram as provas, discutiram entre si e determinaram que a acusação não tinha provado o caso dela para além de qualquer dúvida razoável. Foi essa obstinada adesão às normas jurídicas e os princípios democráticos – incluindo a presunção de inocência – que tanto irritaram a instituição legal e tipos da mídia, que há muito descartaram qualquer aderência.
Even if Jackson had been guilty of molestation, he would not have merited the savage treatment he received at the hands of the state and the mass media. No humiliation is too great, no debasement too complete for these forces.
Mesmo que Jackson tivesse sido culpado de abuso sexual, ele não teria merecido o tratamento selvagem que ele recebeu nas mãos do Estado e os meios de comunicação. Nenhuma humilhação é tão grande, não humilhação muito completa para essas forças.
Jackson parecia estar exausto e à beira do colapso até o final do julgamento. Na brutalidade de um Sneddon se vê, em microcosmo, o caráter da elite governante norte-americana: ignorância, irresponsábilidade, amargura, persegução sem fim a qualquer pessoa e qualquer coisa que sugere oposição ou a “contracultura”.
Por que Michael Jackson realmente foi levado a julgamento? Porque o estilo de vida dele é diferente, até mesmo bizarro, porque ele é percebido como gay, porque ele é negro. Na visão paranóica pornográfico da extrema direita, cuja perversa vida mental merece ser analisada por um Freud, Jackson representa uma provocação e ameaça aos “valores americanos”.
Para a grande mídia nos EUA, o julgamento de Jackson foi uma dádiva de Deus. Incapaz e sem vontade de apresentar a verdade sobre qualquer coisa que importa, os meios de comunicação, instintivamente, gravita para o que vai poluir a atmosfera social. Com o apoio de mergulhar para a guerra no Iraque, bem como as políticas internas de George W. Bush, os esforços para desviar a atenção da população dos assuntos quentes do dia se tornam mais e mais frenéticos.
A resposta da mídia, em geral, para o veredicto Jackson foi rancoroso, se não difamatório. Uma das convidadas entrevistadas por Shepard Smith, da Fox News, chamou Jackson de "O Monstro Teflon" e afirmou que “precisamos de testes de QI para os jurados”. Numerosos comentaristas perguntaram a Sneddon, ao advogado de defesa, Thomas Mesereau e jurados variados, da mesma forma, se eles não acreditavam que um abusador de crianças tinha saído livre. Não apenas a presunção de inocência foi jogada pela janela, como uma absolvição por unanimidade acordada por um júri não significa nada para esses elementos.
Nancy Grace, a ex-promotora, que, todas as noites, derrama veneno reacionário na CNN, mal podia se conter sobre o veredito  de Jackson. Grace, que declarou a crença dela na culpa de Jackson durante meses, começou o programa dela: “Isto é uma varredura em um tribunal da Califórnia. O júri de Michael Jackson proferiu uma sentença que chocou o país: não culpado de todas as acusações... Foi um menino de 13 anos de idade, hispânico, que colocou Michael Jackson em tribunal. E esta noite, não é culpado, em razão da celebridade.”
Grace prosseguiu perseguindo o primeiro jurado, Paul Rodriguez, provocativamente perguntando em um ponto: “O que você acha que teria convencido o júri de que Jackson molestou este menino?”
Debra Opri, uma advogada dos pais de Jackson, finalmente colocou Grace no lugar dela: “Bem, esta é a pílula amarga que você vai ter que engolir, Nancy. Esta é a realidade, não a realidade que você criou para o ano passado. Michael Jackson não é culpado. Deixe que ele viva a vida dele em paz e pare de tentar repetir o caso, e é isso que você está fazendo.”
Como mencionado acima, a mídia aproveitou comentários por um jurado, em particular, Raymond Hultman, no sentido de que, embora não houvesse provas suficientes para condenar Jackson do crime pelo qual ele foi acusado, o cantor tinha, provavelmente, agido inadequadamente com meninos menores de idade no passado.
Este intercâmbio entre a co-âncora do Today Show, da NBC,  Katie Couric  e Mesereau era típica:
Couric: Alguns jurados estão dizendo que este é um veredicto não-culpado, e não um veredicto inocente. Um jurado disse que acredita que Michael Jackson molestou outras crianças, apenas não esta. Portanto, esta é realmente a vindicação que os apoiantes de Michael Jackson acreditam que é?
Mesereau: Sim, é. Macaulay Culkin veio e testemunhou que ele nunca foi tocado. O sr. Robinson testemunhou que ele nunca foi tocado. O sr. Barnes testemunhou que ele nunca foi tocado. Quero dizer, eles tentaram promover teorias do comportamento de Michael Jackson que se desfizeram completamente, porque elas não eram verdadeiras.
Couric: Mas você achar que isso é preocupante, Senhor...
Mesereau: Eu penso que é vindicação total.
Couric: Você acha preocupante, porém, Sr. Mesereau, que um jurado esteja dizendo: “Eu acredito que Michael Jackson molestou crianças ou que tenha molestado crianças antes”?
Mesereau: Não. Eu não acho isso preocupante, porque ganhamos o caso, e deveríamos ter ganhado o caso. Ele é inocente.
As pesquisas de opinião registram que a maioria continua a acreditar na culpa de Jackson. Mas onde é que o público a busca informação? Como o advogado de defesa Barry Scheck anotou no Today Show, o público viu o julgamento através do prisma da mídia, enquanto o júri viu diretamente.
A elaborada conspiração alegada por Sneddon, de que Jackson havia sequestrado a família da suposta vítima dele e tramou enviá-los para o Brasil, foi provado ser um absurdo. Mesereau não teve nenhuma dificuldade em demonstrar que os membros da família tinham ido às compras durante a suposta prisão, incluindo depilações corporais para a mãe do então garoto de 13 anos e trabalho ortodôntico para o último e o irmão dele. Testemunhos indicaram que a família havia “escapado” e voltado ao rancho Neverland de Michael Jackson três vezes, uma delas em um Rolls-Royce, mas nunca pediu ajuda.
A defesa apresentou provas, irrefutadas pela acusação, de que a mãe do menino havia recebido um acordo de 152.000 dólares da JC Penney depois que ela acusou os seguranças de espanca-la, quando, de fato, os ferimentos foram causados ​​pelo marido abusivo dela. Mesereau foi capaz de retratar a mulher como um artista que tinha um histórico de tentar extorquir dinheiro de celebridades para o filho dela, doente de câncer.
Os membros do júri, disseram à imprensa, após o julgamento, que a mãe do menino havia feito uma impressão muito desfavorável sobre eles. Durante o depoimento dela, a mulher alegou que "Assassinos" a ameaçou durante o suposto cativeiro dela e planejaram levar os filhos dela em um balão de ar quente.
Em vários casos, os movimentos da acusação explodiram nas caras deles. Chamada por Sneddon como testemunha, Debbie Rowe, ex-esposa de Jackson, mostrou-se bastante favorável ao cantor. No discurso de abertura, o procurador distrital havia prometido aos jurados que Rowe poderia testemunhar que um vídeo que ela gravou louvando Jackson foi feito sob pressão e que a participação dela tinha sido totalmente roteirizada. Quando ela apareceu, Rowe, que está presa em uma batalha de custódia com Jackson, repudiou essa versão dos acontecimentos e chamou o cantor pop de “meu amigo”.
A promotoria colocou vários ex-empregados de Neverland no banco de testemunhas que alegaram que Jackson tinha agarrado um número de jovens no início de 1990. A maioria dessas testemunhas ou o tinha processado ou vendidos histórias sobre Jackson e, como Mesereau apontou para Couric, os meninos que testemunharam negaram quaisquer impropriedade.
Os jurados que falaram aos meios de comunicação explicaram que a acusação nunca tinha simplesmente feito um caso. Um dos jurados, uma mãe de meia-idade, disse à imprensa: “A prova disse tudo. Nós tínhamos um armário cheio de evidências que nos fez voltar para a mesma coisa: não havia o suficiente “para condenar”. As coisas não se encaixavam, disse ela.
Em uma declaração deles lida pelo juiz no tribunal, o júri de oito mulheres e quatro homens, explicou: “Nós, do júri, sentimos o peso dos olhos do mundo. Nós minuciosamente estudamos os depoimentos, provas, normas e procedimentos. Nós confiantemente chegamos ao nosso veredicto.”
Os jurados explicaram que quando o julgamento prosseguiu, eles começaram a pensar menos em Jackson como uma celebridade. “Mesmo que ele sendo um superstar, ele é um ser humano”, um dos jurados do sexo feminino explicou. “Vendo-o durante todo o julgamento, ele é uma pessoa normal. Isso o fez verdadeiro aos meus olhos.”
Rodriguez disse ao Good Morning America, da ABC, que Jackson tinha agradecido. “Ele olhou para nós. Na verdade, fiz contato visual com ele quando a última parte do veredicto foi lido e ele moveu a boca dizendo abertamente, ‘Obrigado’.”


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O Suicídio de Evan Chandler

O Suicídio de Chandler Destaca a Tendência da Mídia Contra Jackson


Quando se soube ontem que há duas semanas, Evan Chandler, pai de Jordan Chandler, deu um tiro na cabeça, poucas lágrimas foram derramadas apesar dos melhores esforços da mídia para elogiá-lo.
A maioria dos meios de comunicação está divulgando Chandler como "o pai do menino que acusou Jackson de abuso sexual infantil". Errado. Chandler foi o pai que acusou Jackson de molestar o filho dele, depois que a estrela se recusou a negociar ofertas de roteiros de filmes com ele.
As acusações iniciais contra Jackson não foram feitas por Jordie Chandler, mas pelo pai dele, Evan, apesar da insistência de Jordie de que Jackson nunca o tocou de forma inadequada, uma postura que o rapaz manteve por vários meses.
As relações entre o pai do menino e Jackson tinham sido tensas desde o início, pois Evan Chandler sentiu que Jackson estava substituindo-o como um pai. O trecho seguinte é tirado da biografia de Jackson "A Magia e a Loucura". Chandler falou com o autor, Randy Taraborrelli, várias vezes:
"June e Evan haviam discutido sobre o envolvimento de Evan na vida de Jordie; June não sentia que Evan estava passando tempo suficiente com o filho. Evan discordou . No entanto ele não pode evitar de sentir que ele podia estar perdendo o lugar dele na vida de Jordie para Michael ele não acreditava que Michael estava fazendo algo de errado com Jordie. Ao contrário, ele simplesmente sentia a presença de outro homem, uma figura influente do sexo masculino, na vida do filho dele – e ele não gostou disso. E não ajudava a questão  que June muitas vezes fizesse referência ao fato de que Jordie via Michael mais como pai que o próprio pai. ‘Michael é totalmente influente com seu filho", ela disse a Evan durante uma conversa, ‘e ele está tomando o lugar onde você deixou vazio'."

O livro continua a descrever o desgosto de Evan sobre Jackson realizar tarefas paternais, como comprar um computador para Jordan: "Evan não estava feliz com isso. Ele havia planejado para comprar o filho exatamente o mesmo computador e Michael o tinha atropelado."
Chandler notou que o filho dele tornara-se distante e começou a acreditar que Jackson estava envolvido com a ex-mulher dele, June: “Senti, então, que, talvez, June devia apenas se divorciar de Dave, uma vez que eles estavam tendo problemas, e, talvez, ligar-se a Michael.” Em uma viagem para Mônaco, Taraborrelli descreve Jackson como parecendo próximo a June: "Em Mônaco, Michael foi muitas vezes fotografado com June, Jordie e Lily. Em várias fotos, ele é visto segurando Lily em seus braços enquanto caminhava ao lado de June. Jordie [...] andava à frente deles. "
Quando Evan conheceu Michael Jackson, ele sentiu “alegria” e “deslumbramento”. No entanto, quando Jackson parou de retornar as ligações dele, ele se tornou amargo. Em 8 de julho de 1993, Evan foi gravado durante uma conversa telefónica, queixando-se de que Jackson tinha parado de telefonar para ele. "Não havia razão para que ele ter parado de me ligar.”
Ele acrescentou que tinha tido uma conversa com Jackson e dito a ele: “exatamente o que eu queria deste relacionamento com ele”.
 Eu escolhi o mais sórdido filho da puta que eu poderia encontrar", disse ele sobre o novo advogado dele. “Tudo o que ele quer fazer é tornar isso público o mais rápido que ele puder, tão grande quanto ele puder, e humilhar tantas pessoas tantas quanto puder. Ele é sórdido, ele é baixo, ele é esperto e ele está com fome para a publicidade. Tudo esta acontecendo de acordo com um certo plano que não é só meu. Uma vez que eu fazer esse telefonema, esse cara vai destruir todos à vista de  qualquer forma muito desonesta, sórdida e cruel que ele possa fazer. Eu a ele plena autoridade para fazer isso. "
“Se eu passar por isso, eu ganharei um grande momento”, continuou ele. “Não há como eu perder. Vou conseguir tudo que eu quero e eles serão destruídos para sempre. June, irá perder [a guarda] e a carreira de Michael terá terminado.”
Perguntado se isso seria bom para Jordie, ele respondeu: “Isso é irrelevante para mim.”
Nos bastidores, um Chandler cada vez mais amargurado tinha contatado Jackson e exigiu que ele negociasse três acordos sobre roteiros no nome dele. (Chandler era um roteirista fracassado com um crédito em nome dele como co-escritor do filme de Mel Brooks “Robin Hood: Men In Tights"). Se Jackson não aceitasse, Chandler ameaçou, ele iria acusá-lo de molestar o filho dele. Jackson não aceitou – e o resto é história.
Jordie manteve por algum tempo que Jackson nunca o havia tocado de forma inapropriada. A jornalista investigativa Mary Fischer descobriu evidências convincentes – as quais ela publicou no artigo dela para revista GQ, 1994, “Michael Jackson Foi Trapaceado?” – de que Jordan Chandler apenas subscrreveu a versão do pai para os eventos, após Evan – um dentista de profissão – dobrá-lo com uma droga alucinante chamada de amytal sódico, que é conhecido por induzir a síndrome da falsa memória.
Mesmo depois de Jordan Chandler começar a seguir a linha do pai dele, o testemunho dele foi tão pouco convincente, que o promotor Tom Sneddon levou o caso a três júris distintos e nenhum deles lhe permitiu apresentar acusações contra Michael Jackson. Ao contrário do mito amplamente divulgado, Jordan Chandler não descreveu com precisão os órgãos genitais de Jackson. Entre outros erros, ele afirmou que Jackson era circuncidado, enquanto fotografias da polícia provou que ele não era.
Sem surpresa, nenhuma dessas informações fez o caminho delas em reportagens da mídia oficial sobre a morte de Evan Chandler. Em vez disso, o suicídio de Chandler é visto como mais uma oportunidade para jogar lama em Michael Jackson e perpetuar os mesmos, cansados e ​​antigos mitos sobre as alegações de 1993 – particularmente no que respeita à liquidação.
Meios de comunicação de todo o mundo estão relatando uma vez mais que, em 1994, Jackson pagou aos Chandlers um acordo. Isso é ficção total.
Documentos do Tribunal, que vieram a lume em 2005, afirmam claramente que a seguradora de Jackson "negociou e pagou o acordo sob os protestos de o Sr. Jackson e do advogado pessoal dele."
Jackson nem sequer concordava com a liquidação, muito menos em pagá-la. Entre as publicações que recombinaram este absurdo velho nonsense foi o Sun, para o qual, muitas vezes, eu contribuí como um especialista em Michael Jackson. Fui contatado ontem e pediram-me para fornecer informações sobre Evan Chandler e as alegações de 1993, o que fiz. No entanto, nenhuma das minhas informações foi utilizada – muito provavelmente porque refletia muito bem em Jackson. Mitos que implicam a culpa de Jackson são, evidentemente, mais importantes que as verdades que o inocentam.
Notando que o artigo do The Sun sobre o suicídio de Chandler continha várias imprecisões factuais (as mais proeminentemente sendo que Jordie iniciou as alegações de abuso sexual e que Jackson pagou à família uma solução) entrei em contato com dois membros do pessoal do jornal. Meu contato habitual e o jornalista que escreveu o artigo. Nem o e-mail foi respondido, nem o artigo foi alterado.
Em outros lugares, The Mirror foi ainda mais longe na escala absurda ao tentar de retratar Chandler como um mártir de algum tipo. “O pai do caso sexual de Michael Jackson, Evan Chandler, queria justiça, mas acabou destruído", dizia a manchete.
Justiça?

Se Evan Chandler queria justiça, por que ele entrou em contato com Jackson e pediu um acordo para produzir três filmes, antes de ir à polícia?
Se ele queria justiça, por que ele aceitou um acordo com a seguradora de Jackson?
Na verdade, o acordo incluiu uma cláusula que dizia que ao aceitar o pagamento, em vez de um julgamento civil, não afeta a capacidade da família em testemunhar em um caso criminal. Então, se Evan Chandler queria justiça, por que ele não permitiu que a polícia avançasse com a  investigação dela?
O título, juntamente com grande parte do artigo, é um disparate.
Tendo tomado da seguradora de Jackson do apenas  menos de$ 15 milhões (e não 20 milhões  de dólares normalmente mencionado pela imprensa), em 1996, Evan Chandler tentou processar Jackson por mais 60milhões de dólares, depois de afirmar que o álbum HIStory da estrela foi uma quebra da cláusula de sigilo do acordo. Além de tentar processar Jackson, Chandler pediu que o tribunal lhe permitisse produzir um álbum refutação, chamado EVANstory.
Sim, é verdade.
Então o homem que The Mirror afirma que apenas “queria justiça” pensava de que o melhor curso de ação, depois que a tempestade inicial da mídia esmoreceu, seria lançar um álbum de música sobre o suposto abuso do filho pré-adolescente dele.
The Mirror aludiu ao fato de que as relações entre a Jordan e os pais dele ficaram tensas após 1993, mas colocou a culpa na porta de Jackson, alegando que o trauma do caso os afastou.
Na realidade, Jordan Chandler foi ao tribunal quando ele tinha 16 anos e ganhou emancipação legal de ambos os pais. Quando chamado a comparecer no julgamento de Jackson, em 2005, ele se recusou a testemunhar contra seu ex-amigo. Se ele tivesse sentado no banco de testemunhas, a equipe legal de Jackson tinha um número de testemunhas que estavam preparadas para testemunhar que a Jordan – que agora vive em Long Island sob um nome falso – havia dito a eles nos últimos anos que ele odiava os pais dele pelo que eles o fizeram dizer em 1993, e que Michael Jackson nunca o havia tocado.
As evidências em torno das alegações de 1993 apoiam completamente a inocência de Michael Jackson. É por essa razão que, durante a longa investigação, que continuou por muitos meses antes da seguradora de Jackson negociar um acordo, Michael Jackson nunca foi preso e ele nunca foi acusado de qualquer crime.
A evidência sugere, esmagadoramente, que Evan Chandler comandou as acusações como um esquema para fazer dinheiro, acreditando que iria ajudá-lo a alcançar o sonho dele de trabalhar em Hollywood. Na referida fita da conversa telefônica gravada ouve-se ele dizendo que o bem-estar do menino era "irrelevante" e afirmando que ele estava pronto para tirar de Jackson tudo o que ele tinha.
As provas de Mary Fischer mostram que, assim como falsificar o abuso sexual do próprio filho em uma trama de extorsão elaborada, quando Jordan se recusou a entrar no jogo, Evan o dobrou com drogas que alteram a mente em uma tentativa de enganá-lo a acreditar que ele foi molestado.
Mas mesmo drogar uma criança como parte de um plano de extorsão não foi o mais baixo ponto que Evan Chandler chegou. Isso aconteceu quando ele pediu ao tribunal para lhe permitir lançar um álbum de música sobre o suposto abuso sexual do próprio filho.
Se Evan Chandler queria justiça, ele conseguiu há duas semanas.
Quanto aos meios de comunicação, este último incidente cimenta mais uma vez a quase total falta de vontade da indústria em relatar com precisão e justiça sobre Michael Jackson, particularmente sobre as acusações falsas de abuso sexual que foram levantadas contra ele.
 Nenhuma das informações e provas acima foram incluídas em qualquer artigo sobre o suicídio de Chandler que li até agora, apesar do fato de que eu, pessoalmente, as entreguei para pelo menos um jornal que, reiteradamente, pagado a mim como um expert sobre Jackson em outras histórias.

Fatos a favor dele são negligenciados em favor de mitos picantes. Um humanitário negro é engessado como um pedófilo e o chantagista branco dele pintado como um mártir.
Quanto a Jordie Chandler, talvez com a morte do pai dele, ele encontre a coragem para fazer a coisa honrosa. Talvez ele venha à tona em algum lugar e dizer ao mundo o que ele vem dizendo aos amigos dele por mais de uma década – que Michael Jackson nunca encostou um dedo nele. Até então, eu suspeito que ele vá viver com o mesmo tormento que, parece, eventualmente, levou o pai dele, suspeitosamente, logo após o desaparecimento da maior vítima de tudo isso, Michael Jackson.

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